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A Crise PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Carlos Ventura   
Terça, 04 Outubro 2011 19:42

in Boletim da Sociedade Portuguesa de Naturalogia, 2011 out

A CRISE

A crise tornou-se o fantasma assustador e o tigre real do nosso dia-a-dia. É verdade que a nossa vida está a mudar e não voltará a ser como a vivemos desde o pós-guerra. Nas últimas seis décadas o mundo teve um desenvolvimento exponencial, no qual se incluem inúmeros aspectos positivos e negativos. Quem tem a memória deste período não pode negar que questões degradantes foram ultrapassadas: ainda nos anos sessenta e até setenta, havia muita gente nas aldeias portuguesas descalças e rotas, sem dinheiro para calçado e roupas decentes; o analfabetismo era endémico; a consciência cívica e social estava reduzida a uma restrita minoria; os bairros de lata circundavam e penetravam Lisboa; grande parte da população não tinha esgotos, casas de banho ou electricidade… Este país já não é o nosso. Em poucas décadas avançámos muito e esquecê-lo é injusto e auto-flagelador. Mas outras negras ameaças surgiram.

A crise actual – que é mundial – tem a ver com a insustentabilidade de um modelo financeiro, económico e social baseado no consumo irracional, desenfreado e insustentável (por exemplo, em Setembro foi revelado que cada europeu deita fora 179 quilos de comida todos os anos…). Passando pela alimentação, saúde, transportes ou energia e muitos outros aspectos, o consumo de recursos e o desperdício revelam-se impossíveis de manter num planeta que atinge agora já sete mil milhões de habitantes.

A Sociedade Portuguesa de Naturalogia, na sua humilde dimensão, continua a alertar para que, mais principalmente a nível da saúde, alimentação e ecologia, haja a consciencialização de que mudanças individuais e colectivas são necessárias e urgentes. Sabemos que muito mais é preciso fazer. Sabemos também que esta tarefa é de todos e de cada um. Para além de um trabalho de mudanças sociais – que a SPN e muitas outras organizações e personalidades levam a cabo desde há muito, cada um de nós é responsável pela sua própria vida e tem a responsabilidade de no seu dia-a-dia tomar opções alimentares e de saúde que fazem parte da sua liberdade e vivência como cidadão. Entre estas opções não são de esquecer as intervenções com impacto directo na reciclagem, no uso de transportes públicos e nos gastos energéticos. Se cada um de nós proceder coerentemente e responsavelmente, boa parte das questões ganharão clareza dentro de nós e nos que nos rodeiam. Haverá contudo, é verdade, muitos mecanismos que, cada vez mais, nos escapam. As grandes corporações, os mecanismos financeiros, os obscuros negócios e jogos de poder ocultos, malhas que os impérios tecem e que a todos nos afectam, têm cada vez mais vida própria.

O futuro é uma incógnita que não depende só de nós. Mas isso não pode impedir-nos que continuar a ser cidadãos conscientes e activos.

Carlos Campos Ventura

(Presidente da Sociedade Portuguesa de Naturalogia)

 

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