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Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 20:13
in revista Natural BeijaFlor
2007 fevereiro

O MAIOR PORTUGUÊS

Com grande aparato e votações a condizer, debate-se qual foi o maior português de sempre... No momento em que escrevo, não sei qual será o mais votado, mas uma votação "democrática" para eleger uma personagem com a dimensão de mais de oito séculos tem como principal interesse ser uma boa oportunidade para debater publicamente a nossa História, os vultos que a alicerçaram e quais as qualidades que eles transportaram. E já agora, eu também vou dizer a minha escolha. Para mim é o infante D. Henrique. E explico resumidamente porquê.

Teve um sonho e cumpriu-o. Por terra, a expansão do território português tinha atingido os seus limites. Portanto a fronteira que nos restava era o oceano, repleto de adamastores e abismos infernais. Mesmo assim ele foi. Mas preparou-se em terra. Não se pense contudo que foi uma empresa pura e simplesmente guiada pelo objectivo do lucro material. Se assim fosse, não teria mobilizado tantos e tão bons. O seu sonho era maior que as riquezas da Índia; era maior que o Mundo.,  

Definiu uma estratégia a longo prazo, ambiciosa, programada, exaltante. Aproveitou os meios enormes de que dispunha e não os gastou em jeeps, ferraris, duplexes, jacuzis e rolexes. Empregou-os reunindo as condições ideais para a maior aventura em séculos. Com ela transformou Portugal e quanto ao Mundo, esse, depois dessas décadas, nunca mais foi o mesmo.

Incluiu à sua volta, entre nacionais e estrangeiros, as maiores competências do seu tempo: navegadores, marinheiros, construtores de naus, astrónomos, geógrafos, cartógrafos, botânicos, médicos, financeiros, diplomatas, guerreiros... Só grandes equipas concretizam grandes projectos. E D. Henrique coordenou a mais brilhante do seu tempo, enunciando, construindo e afirmando o fim da Idade Média e o início épico de novas sociedades, novas relações sociais e nova forma de compreender o Homem e a Natureza.

E por fim, não se limitou a contratar homens sabedores e experientes e a aproveitar as suas competências. Também criou uma verdadeira escola e centro de investigação de marinhagem e navegação, de geografia e cartografia.

Tudo isto fez de Portugal o centro do mundo de então, nessa idade de ouro cujo brilho (deveria guiar-nos através do nevoeiro que nos séculos seguintes se foi instalando, e) deveria ser mais inspiração e menos saudade.

 

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