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O Fiel Jardineiro, filme PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Avaliação: / 21
FracoBom 
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 14:42
in revista Natural BeijaFlor
2006 jun
Um Jardim Longe do Laboratório Farmacêutico ou A África Negra Continua Mal

O Fiel Jardineiro é um excelente filme. É um lancinante e belíssimo filme de amor. Mas não só.

Não sei se quando esta minha chamada de atenção for publicada ele ainda estará em cartaz, porém as oportunidades de o verem não vão faltar porque, seja em DVD, seja na televisão ou em reposições, ele não passará de moda. Mas eu não poderia deixar de falar nele depois de a Beija-Flor Natural ter publicado um par de artigos acerca das estratégias globais das multinacionais farmacêuticas. Nos anos 60, René Dumont escreveu um livro que marcou gerações: "A África Negra Começa Mal". Naquela altura, o fim do colonialismo não tinha confirmado as esperanças numa nova era para aquele continente. Décadas depois, René Dumont continua a ter razão. Os piores demónios continuam a sugar a vida dos nossos irmãos africanos: as guerras, as secas, a corrupção, o luxo ostentado ao lado do lixo mais abjecto, a fome, a SIDA... Estes cancros, diz-se, são de lá, herança do colonialismo aproveitada e ampliada pelos senhores locais. Mas há abutres que voam mais alto. Pairam longe das populações ao abandono, sem terra nem céu, sem leira para cultivar, sem utensílios para sobreviver, deslocadas da sua terra, da sua cultura, do seu meio, párias sem esperança nem revolta, gado de pastores que desapertam a gravata enquanto bebem uísque e pousam o computador portátil, o abrem e num gesto abstracto, evanescente, digitam delete. Longe, muito longe - parece que é noutro planeta - há populações que desaparecem. Até o jardineiro mais fiel sucumbe aos pesticidas e à esterilização.  

A Humanidade nasceu no continente africano mas os nossos pais comuns, Adão e Eva, há muito foram expulsos do Paraíso e a África queima em fogo vivo, como se fosse o bode expiatório dos pecados do mundo. Fernanda de Castro escreveu um longo poema a que chamou África-Raiz. Nele comparou os outros continentes às outras partes da planta e concluía: "Mas tu, África, és raiz". A seiva une os extremos, o topo e o subterrâneo. Quando a raiz está exangue, as folhas e os frutos não podem estar saudáveis.

atualizado em Quarta, 02 Julho 2008 14:52
 

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