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Naturopatia e Fitoterapia Clássicas no Séc XX PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 21:09
in Anuário do Ministério da Saúde 2008

A NATUROPATIA E A FITOTERAPIA CLÁSSICAS, HERDEIRAS DE HIPÓCRATES

A saúde natural está presente no nosso país desde a época em que nasceu na Europa, ou seja, desde o século XIX. Mas é verdade que também podemos dizer que, por outro lado, as medicinas não convencionais são na actualidade uma área emergente, que só depois do 25 de Abril ganhou direito de cidadania e expressão pública assumida no nosso país e só nos anos oitenta iniciou o crescimento exponencial quanto ao número de profissionais. Isto quer dizer que a existência de uma classe profissional de naturopatas em Portugal é recente - tem um quarto de século. Até 1974, os naturopatas contavam-se pelos dedos de uma mão. Os maiores destes nomes foram Indiveri Colucci e José Lyon de Castro. Poucos mais do que os naturopatas eram os médicos adeptos da medicina natural. Foi o caso de Amílcar de Sousa, nome maior da saúde natural portuguesa no primeiro terço do século XX e de Adriano de Oliveira, o médico naturista mais representativo do último terço, que repetidamente me falou no movimento internacional Neo-Hipocrático, ao qual ele aderira com entusiasmo. Devido ao enorme fechamento político, cultural e social do nosso país, nunca foi possível o estabelecimento de ensino. Indiveri Colucci manifestou repetidas vezes a disponibilidade para financiar uma escola, mas a sociedade portuguesa não estava madura para tal.

A partir do início dos anos oitenta surgiu formação de naturopatas (e de outras áreas das medicinas não convencionais) em Portugal. Porém, essa formação está longe de ser segundo a perspectiva clássica, ou seja, a sistematizada pelo francês Marchesseau, autor e professor incontornável na teoria e na prática da naturopatia de raiz hipocrática - a que em Portugal designamos por naturopatia clássica.

E qual a ligação entre a Naturopatia clássica e Hipócrates? Hipócrates iniciou uma era nova no saber e criou a profissão de saúde, separando-a da prática mágica. Com ele, ficou claro que o profissional de saúde recorria aos elementos, substâncias e métodos naturais: alimentação, plantas, água, sol, ar, descanso e não a rezas, exorcismos, amuletos ou outras práticas sobrenaturais. Este passado é comum à naturopatia e à medicina convencional. Mas não só: é também a raiz da ciência moderna. A naturopatia respeita o saber acumulado ao longo dos séculos e gerações pelas populações humanas. Esse saber tem que ser comparado, triado e avaliado, mas é uma herança preciosa que ajudou a humanidade a sobreviver e que o bom senso aconselha a aproveitar. O uso tradicional das plantas medicinais é, na esmagadora maioria das vezes em que são feitos estudos científicos, confirmado como justificado.

A ciência e a medicina modernas ganham a sua autonomia no século XIX e estabilizam no século XX. Também é no século XIX que as bases da naturopatia actual são lançadas, e no século XX a prática e a teoria são definidas. A naturopatia tem assim um caminho conjunto - mas autónomo - impossível de separar com o espírito e a prática científicos.

Estas raízes formam um corpo que mergulha no passado e se recria nos tempos mais recentes, estabelecendo pontes entre a Antiguidade e a actualidade, entre a tradição e o saber erudito. Em conclusão, Hipócrates codificou o comportamento do profissional de saúde. E com tal coerência o fez que hoje, dois mil e quatrocentos anos depois, o Juramento de Hipócrates continua oportuno e fulcral. Foi revolucionário e seminal, epistemologicamente, culturalmente e socialmente. O que o Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência cumpre é o ensino em profundidade da Naturopatia e da Fitoterapia, recorrendo aos melhores professores e alicerçando-o no corpo teórico e prático que lhe pertence, sem ornamentos adventícios e duvidosos, de acordo com a lei aprovada pela Assembleia da República em 2003.

O que Hipócrates preconizou continua a fazer sentido - e em muitos casos falta ainda pôr em prática!

 

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