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Escrito por Carlos Ventura   
Segunda, 09 Junho 2008 12:59

in revista Natural BeijaFlor
2005 junho

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Há quatro anos, no dia 8 de Junho de 2001, a UNIMAVE encerrou as suas portas, após três décadas durante as quais transformou indelevelmente a realidade da saúde natural portuguesa. Esse foi um dia triste para muitos e nomeadamente para mim, que fui o Presidente e Director Técnico desta instituição desde o dia 1º de Janeiro de 2007, portanto ao longo de metade da vida da Unimave. Registada notarialmente em 1971, abriu as portas em Fevereiro de 1972, na Rua da Boavista, sendo desde o primeiro dia notícia na imprensa. Nasceu para afirmar a alternativa macrobiótica em Portugal, juntando para esse efeito em cooperativa um grupo de activistas do movimento naturista sensibilizados para aquelas ideias que no fim dos anos sessenta tinham cá chegado. Esta convivência comum está expressa no próprio nome: UNI(união)-MA(macrobiótica)-VE(vegetariana), apesar de não ter tardado até que tensões fossem surgindo, favorecidas pelo clima de divisão no país, pelo desejo de afirmação e pelo seu militantismo, que fez com que em poucos anos a UNIMAVE crescesse até ter em 1978 já três centros em Lisboa, que integravam restaurantes, lojas, consultas, tratamentos, cursos, palestras e uma panóplia de actividades. Chegou também a ser o principal centro de saúde natural da Península Ibérica e um dos principais centros macrobióticos do mundo. A UNIMAVE foi também pioneira na agricultura biológica (iniciou o cultivo de arroz - que era suficiente para fornecer os seus restaurantes e lojas -, leguminosas e legumes num terreno que comprou em Almoster). Lançou-se na importação, embalagem e distribuição de alimentos (cereais em grão e transformados, algas, etc) e na edição de bons textos e livros. Em maio de 1974, ali teve lugar a primeira assembleia pública ecologista no nosso país, juntando centenas de pessoas e dando nascimento ao Movimento Ecológico. A partir dr 1975, grandes vultos a nível mundial nos visitaram, fazendo do nosso país paragem obrigatória e cosmopolita dos circuitos dos seminários da macrobiótica. Com uma dinâmica que se afirmava imparável, a UNIMAVE (e por extensão, Lisboa) foi o cadinho onde se formaram dezenas de profissionais, cozinheiros, dirigentes, consultores. Pode dizer-se que ainda hoje a macrobiótica vive no essencial dos que viveram e se formaram nesses tempos. Daqui partiram alguns deles (infelizmente muito poucos) para o estrangeiro, onde adquiriram conhecimentos aprofundados e que em Portugal não eram possíveis obter. Um dos princípios básicos da macrobiótica é que tudo o que tem uma frente tem um dorso e que quanto maior a frente, maior o dorso. A fortíssima energia que animava a UNIMAVE entre 1975 e 1983 deu lugar por essa altura à depressão, à deserção e à falência económica e também de projectos e de quadros. Até à sua extinção, a UNIMAVE ainda conseguiu recuperar, principalmente entre 1986 e 1995, o seu papel de primeiro plano, mas as dívidas acumuladas nos anos de depressão eram demasiadas e absorviam grande parte do esforço. Resta a consolação que fechou as portas com o passivo saldado e portanto de cara limpa. O saldo humano e de promoção da saúde e da alimentação natural, esse é extraordinariamente positivo. Foi uma aventura que milhares partilharam e que contribuiu para melhorar este país. Valeu a pena.

atualizado em Quarta, 13 Janeiro 2010 16:16
 

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