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Alcachofra PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Miguel Boieiro   
Domingo, 24 Abril 2011 21:35

Alcachofra

Ao contrário de muitos conterrâneos, há anos que cultivo e consumo alcachofras, verdadeiro acepipe gastronómico com efeitos muito benéficos na prevenção de diversas doenças. Entusiasmei-me deveras com esta planta singular e tenho feito o possível para promover a sua divulgação. Um dia recebi a visita de um amigo e esforcei-me para o convencer do prazer e utilidade do consumo de alcachofras. No fim do meu arrazoado ele pareceu ficar ganho pelo que lhe ofereci a maior alcachofra que tinha no quintal. Passados dias perguntei-lhe se tinha gostado, ao que ele me respondeu: “Imenso! Meti-a numa jarra com água e ela virou uma flor azul muito linda”.

A Cynara scolymus L, da família botânica das asteráceas ou compostas, conhecida popularmente como a alcachofra-de-comer ou alcachofra-hortense, é uma herbácea perene oriunda da região mediterrânica, que parece ter derivado da Cynara cardunculus L (cardo do coalho com que antigamente se faziam os queijos) por selecção natural. É conhecida e consumida desde o tempo dos faraós egípcios mas, no nosso País, não se sabe bem porquê, ela é escassamente utilizada. A propósito, vou contar-lhes uma história assaz curiosa: há cerca de trinta anos andava eu a gadanhar num hortejo que tinha para os lados do Lazarim (Almada) e encontro num vazadouro próximo um livro precioso denominado “Traité Pratique de Culture Potagère pour l’Afrique du Nord”, editado em Argel, em 1944. A citada obra que ciosamente guardo, por ventura já esgotada, descreve em pormenor os cultivos de mais de 70 vegetais utilizados na alimentação, os quais se dão correntemente nos nossos solos e no nosso clima atlântico-mediterrânico. Pois a alcachofra, termo de proveniência árabe, ocupa, nada mais, nada menos, do que 10 páginas do apreciado livrinho. Repesquemos alguns nacos: “A alcachofra é gulosa! As suas grossas e longas raízes penetram nos solos profundos, frescos e substanciais para proporcionar um bom estado vegetativo. Em terras demasiado secas as cabeças florais desenvolvem-se mal e os receptáculos são pouco carnudos. Os solos predilectos encontram-se nas planícies aluviais de natureza argilo-siliciosa e argilo-calcárea”.

O caule erecto da alcachofra é gigantesco, chegando a atingir 1,5 metros de altura e terminando em capítulos globulosos, espinhosos, compostos de lígulas azul-violeta, quando em plena floração. As folhas são glabras na face superior e esbranquiçadas e peludas na face inferior. Os frutos formam aquénios com penugem.

De entre os constituintes químicos da planta salientam-se um princípio activo chamado cinarina (princípio amargo), sais minerais (fósforo, ferro, potássio, cálcio, magnésio, silício, enxofre, iodo …), pró-vitamina A, vitaminas B1, B2 e C, mucilagens, pectina, tanino, enzimas e diversos ácidos orgânicos.

Atribuem-se-lhe as seguintes propriedades medicinais: anti-esclerótica, anti-tóxica, colagoga, depurativa, digestiva, diurética, hepática, anti-reumática, laxante, etc. Estimula a actividade da vesícula biliar e do fígado, melhora as digestões e ajuda a controlar o colesterol e os níveis de açúcar do sangue.

Usa-se a infusão de 100 g das folhas, caules e raízes num litro de água e toma-se três chávenas diárias antes das refeições (não vale a pena juntar-lhe açúcar porque nada adoça e torna a bebida demasiado enjoativa). Também se utiliza o suco fresco, o extracto, a tintura, o vinho medicinal e outros remédios derivados, comercializados em cápsulas e comprimidos.

Para comer, a alcachofra é uma iguaria. Tem sabor delicado e é bastante nutritiva embora possua um teor baixo em calorias. A parte edível é a flor antes de abrir. Come-se o receptáculo carnudo e chupam-se as brácteas cozidas ou até cruas. Após a cozedura deve ser logo consumida, dado alterar-se rapidamente produzindo toxinas. Existem muitas receitas gastronómicas, sendo as mais populares as marinadas com molhos ou “vinagrettes”. Para mim, basta a cozedura das inflorescências durante cerca de meia hora em água simples (que se pode beber a seguir como tisana digestiva), sem juntar sal ou qualquer outro aditivo.

 

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