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Escalracho PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Miguel Boieiro   
Sexta, 22 Maio 2009 14:24
Escalracho

O meu pai passava dias e dias a descalrachar numas courelas arrendadas, no Cerrado da Praia. Um dia, contou-me uma espécie de fábula: Deus teria perguntado ao escalracho se queria morrer queimado ou enforcado e este respondeu - "Queimado!" Face à minha surpresa, esclareceu: - Se o escalracho, depois de amontoado, for dependurado numa árvore, ele não resiste ao calor estival, mas se o queimarmos numa fogueira, hão-de restar sempre umas pontinhas por arder, as quais, proporcionam a propagação inevitável desta temível infestante.

Todos os camponeses sabem que terra com escalracho, jamais dará pão e daí o penoso trabalho de esgravatar o solo e retirar todos os rizomas escondidos debaixo da terra. Hoje, usam-se herbicidas que, num ápice, arruínam a estrutura vegetal das plantas daninhas; contudo, os efeitos nefastos deste processo químico são bastante piores para o ecossistema e para a sanidade dos solos.

O termo escalracho, também denominado grama, grama-francesa, grama-das-boticas, grama-canina, grama-portuguesa, etc., corresponde a diversas espécies de gramíneas (família das poáceas), muito semelhantes entre si. Quanto às designações latinas, elas também variam: "Elymus repens", Panicum repens", "Elytrigia repens", "Agropyron repens", "Triticum repens" e "Cynodon dactylon". Há ainda uma variedade que se dá nas areias do litoral, chamada "Carex arenaria". Mas deixemos as confusões botânicas destas vulgares plantas de Lineu e discorramos apenas sobre a designação genérica de escalracho, tal como o encontramos na nossa região.

É uma gramínea vivaz (e que vivaz!) com rizomas cilíndricos, compridos e roliços, de epiderme dura, amarelada (parecendo envernizada), que se estendem horizontalmente, providos de nodosidades. Os caules são ramosos e rasteiros. As folhas são lineares, levemente lanceoladas, compridas e rijas. Algumas espigas, ou espiguetas, adquirem um tom arroxeado. Raízes fasciculadas brotam de cada nó subterrâneo, o que explica a enorme capacidade de proliferação desta planta.

Das desvantagens do escalracho, estamos falados, falta referir quais os seus benefícios como planta medicinal.

Na respectiva constituição química detectaram-se sais minerais, ácido silícico, polissacáridos, saponósidos, mucilagens e vestígios de óleo essencial. É portanto, remineralizante, diurético, anti-inflamatório, anti-séptico, emoliente e suavizante.

O escalracho é muito eficaz no tratamento de infecções e irritações do aparelho urinário, como a cistite e a uretite. Provoca também um aumento de volume da urina e é, justamente, considerado um bom dissolvente dos cálculos renais.

De entre diversificados processos de preparação de mezinhas, escolhemos um dos mais simples que vem mencionado na enciclopédia "A Saúde pelas Plantas Medicinais" do Dr. Jorge Pamplona Roger:

Decocção de 50 g de rizomas secos que fervem, durante 10 minutos, num litro de água. Tomam-se 2 a 4 chávenas por dia.

O "Manual de Medicina Doméstica", do Dr. Samuel Maia, diz que a parte verde da grama serve como vomitivo e purgante de cães e gatos e aconselha:

Ferver 20 g de rizomas, finamente cortados, em 4 litros de água, durante 30 minutos. Coar. Tomar simples ou adoçado.

Entre estes dois preparados, o fitoterapeuta pode variar à vontade pois não se detectaram, até hoje, quaisquer contradições no consumo das decocções.


 

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