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Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 29 Outubro 2008 19:16

CALAMITA
A calaminta é uma menta humilde e envergonhada, embora pertença a uma aristocrática família. Excelente criatura (o prefixo “cal” advém do grego e significa “boa”, como outros vocábulos começados por “cal”, de que é exemplo, “caligrafia, ou seja, letra bem desenhada), a calaminta brota espontaneamente em terrenos pedregosos e ermos. Erva pouco expressiva, só a topamos quando floresce, ou somos surpreendidos pela sua agradável fragrância.

As mentas silvestres possuem características e propriedades muito semelhantes. Convencionalmente, destina-se os orégãos às “pizas”, ou ao tempero dos caracóis, as hortelãs às canjinhas, os poejos às açordas, a piperita aos refrescos, a segurelha à sopa juliana, os manjericos aos bailinhos de Santo António, a erva-cidreira aos festejos de São João, do Porto. Pois à “pobre” da calaminta, cabe-lhe apenas a tradicional missão de temperar as azeitonas. Por isso, é talvez mais conhecida por “erva-das-azeitonas”. Também lhe chamam nêveda, mas ainda não deslindei a razão.

 

A “Calamintha officinalis” é uma labiada muito aromática que foi outrora vastamente usada para fins medicinais, pois lhe atribuíam virtudes que ainda não se acham cientificamente comprovadas, como a de curar a lepra. Hoje está um pouco esquecida, face ao protagonismo de outras suas “irmãs” mais atrevidas.

Quando empreendo as minhas caminhadas pela Arrábida, nunca deixo de a cumprimentar; colho uma pernadita e faço com ela tudo o que faço com as outras mentas – uma folhinha na sopa, uma infusão estomacal ou, simplesmente, a carinhosa deposição em lugar de destaque, para me alegrar a alma.

 

A planta é perene (embora, durante o Inverno, a parte aérea praticamente desapareça), ramificada, herbácea, especialmente lenhosa na base, atingindo, no máximo 30 cm de altura. As suas folhas são simples, dentadas ou serradas, pecioladas e vilosas. As flores, que surgem habitualmente no fim da primavera, são rosa ou púrpura, com cálice erecto, cujo lábio inferior possui três lóbulos semicirculares.

Existe na calaminta um óleo essencial muito canforado e volátil. Possui também enzimas, ácidos fenólicos e resinas.

É considerada planta tónica, excitante, expectorante e sudorífera e por isso, detém ideais condições para intervir no alívio de várias mazelas. Citam-se as más digestões, a aerofagia, os espasmos, o cansaço, as dores reumáticas, a bronquite, a depressão.

Emprega-se vulgarmente o infuso, durante 15 minutos, de 30g das flores e folhas secas num litro de água fervente. De resto, tal bebida constitui um simpático “chá” de requintado aroma e agradável sabor, para aqueles encontros de cavaqueira a meio da tarde.

O óleo essencial é matéria-prima de perfumes, cosméticos e desodorizantes.

 

Há cerca de vinte espécies de calaminta, só no continente europeu, mas todas têm propriedades e usos idênticos. O Engº José Gomes Pedro na sua obra “Flores da Arrábida”, que deveria ser indispensável “livro de campo” para crianças e adultos, detaca a “Calamintha baetica”, como a espécie mais predominante entre nós. Outros ainda, dão realce à subespécie “Calamintha nepeta”, a qual poderá atingir maiores dimensões. No fundo, poderemos considerá-las, todas elas, como “officinalis”, termo latino que significa plantas sem contra-indicações, destinadas a servir a Humanidade.

 

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