Eventos

Entrada Artigos Fitoterapia Sobreiro
Sobreiro PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Avaliação: / 12
FracoBom 
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 20 Agosto 2008 23:10
Sobreiro
"Somos o País que detém a maior área de sobreiro do Mundo, o maior produtor de cortiça e o maior exportador de produtos transformados de cortiça." - lê-se na página 35 do "Jornal de Alcochete" de 25/06/08.

Assim é! Aí sim, somos de facto os maiores, sem desprimor para o futebol e quejandos. Aí cabe-nos marcar a diferença em termos mundiais e estar conscientes de que é no aproveitamento criterioso dessas diferenças e originalidades que poderemos encontrar acrescidos caminhos de desenvolvimento.

A propósito, recordo-me que, há anos, no seguimento do acordo de geminação que Alcochete estabeleceu com o município de Waudo, da RPD da Coreia, recebemos uma delegação de autarcas daquele País oriental, desalinhado das "leis" da globalização mundial que, já então, imperavam. Numa visita à parte rural do concelho e perante as nossas detalhadas explicações, os coreanos detiveram-se, extasiados, em frente de um sobreiro, não parando de lhe tirar fotografias, pedindo-me, depois, para lhes arranjar bolotas. O que eles não dariam para ter chaparros no seu belo País!

Com mais nitidez, ancorou-se em mim o conceito de que é com o conhecimento do outro e no respeito escrupuloso pelas diferenças, que podemos progredir como nação e como Humanidade justa, pacífica e fraterna. O que acaba por ser banal numa determinada região pode ser uma raridade, noutra. Os sobreiros são, de facto, espécies vegetais raras a que não damos o devido apreço. Como os temos em abundância, disso não nos damos conta, desprezamo-los e até os maltratamos.

Os sobreirais são predominantes em muitos concelhos, de que destacamos, Coruche e Grândola, por exemplo. Em Alcochete, cerca de 90% da floresta (ainda) existente é constituída por montado de sobro e também por isso, é mister conhecer bem esta espécie botânica.



O "Quercus suber" pertence à família das fagáceas e ao género "quercus" de que também fazem parte o carvalho, a azinheira, o carrasqueiro, etc. Trata-se de uma árvore endémica da região mediterrânica ocidental com condições de desenvolvimento em todo o continente português, parcialmente em Espanha e Marrocos e em estreitas franjas da França, Itália, Argélia e Tunísia. Chineses e norte-americanos têm tentado introduzi-la nos respectivos países mas, até agora, com reduzido sucesso. Portugal possui cerca de 33% da área dos montados de sobro e 50% da produção mundial de cortiça - a camada de revestimento protector da árvore que, como se sabe, é o seu elemento de maior valorização económica. A primeira extracção nunca acontece antes do sobreiro perfazer, pelo menos, 25 anos, proporcionando ainda um produto de fraca qualidade. Dado que a cortiça é retirada de nove em nove anos, isso significa que, só por volta dos 40 anos é que a árvore começa a dar razoável rendimento. Daí a asserção: "Se queres um negócio imediatamente lucrativo, planta vinha, se o queres para os teus filhos, planta oliveiras, se o queres para os teus netos, escolhe sobreiros"

Desta evidência resulta que o sobreiro não se perfila com atractiva rendibilidade para os particulares que desejem encetar a exploração e deveria ser o Estado a tomar medidas de preservação e alargamento das manchas de montado de sobro. Infelizmente, os organismos governamentais têm primado pelo desleixo no tocante às necessárias investigações científicas sobre esta preciosa espécie botânica, não planeando, não investindo, não controlando as suas doenças, não estimulando o interesse pela sua produção. Por isso, e apesar de leis protectoras, aliás, de resultados controversos devido à sua rigidez, os montados definham e o futuro não se lhes augura brilhante.



Sobre o sobreiro, diremos que ainda não foram estudadas aplicações fitoterápicas, mas que, não obstante, ele constitui imprescindível fautor da biodiversidade vegetal, fúngica e animal e por isso, proporciona saúde ao todo e às partes. As áreas de montado favorecem a proliferação de espécies que fazem as delícias dos "gourmets": - espargos silvestres, túberas e outras variedades de cogumelos.

As bolotas, demasiado amargas para os humanos, são um bom alimento proteico para o gado. A lenha e o carvão vegetal constituem excelentes alternativas ao uso dos combustíveis fósseis.

Para terminar, acrescentamos que o sobreiro requer alguma humidade, solos férteis profundos e pH baixo, tolerando, contudo, temperaturas altas e longos períodos de seca. O crescimento é muito lento, logra atingir 20 metros de altura, a grossura do tronco pode chegar aos 2 metros e o seu período de vida ultrapassa os 300 anos.
Miguel Boieiro

atualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:36
 

Subscreva Newsletter

Medicinas Não Convencionais


Receber em HTML?