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Entrada Artigos Fitoterapia Arruda
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Escrito por Miguel Boieiro
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Quarta, 20 Agosto 2008 23:02 |
Arruda No livro "Les Plantes Magiques"
de Sédir pode ler-se: "um rebento de arruda atado à asa de uma galinha
protege-a do gato e da raposa" e ainda, "se aspergirmos a cama com a água da
cozedura de arruda, misturada com urina de mula, as pulgas imediatamente
desaparecem". Estas são apenas duas curiosidades do imenso rol de qualidades
atribuídas, desde tempos imemoriais, à arruda, como planta protectora e inclusive,
activadora contra as más vibrações, os sortilégios, o mau-olhado e as
feitiçarias. É impressionante a quantidade de referências que existem, nas
obras clássicas da antiguidade, sobre esta planta "com poderes".
No meu quintal mantenho-a nas
cabeceiras das semeaduras para que ela proteja as hortaliças, repelindo os
insectos predadores. O seu aroma, inconfundivelmente fedorento, é uma
característica que facilita o seu reconhecimento, mesmo pelos mais
inexperientes.
Existem duas classificações
científicas que dão pelo nome de "Ruta graveolens" e "Ruta chalepensis", esta
mais notoriamente espontânea na Arrábida. Contudo, ambas as rutáceas são
praticamente iguais no tocante aos seus atributos físicos e químicos.
Podemos considerar a arruda como
um arbusto, já que o seu caule é lenhoso e ramificado, chegando a ter mais de
um metro de altura. Desenvolve-se com facilidade e resiste bem em climas temperados,
secos e pedregosos de todo o mundo, mas julga-se que é nativa da Europa
meridional.
A planta é persistente,
renovando-se em cada Primavera. As
folhas são pequenas, verde-acinzentadas, pecioladas e alternadas. As flores são
igualmente pequenas, em ramalhete, dotadas de quatro pétalas amarelas, com
excepção da flor central que costuma ter cinco. Os frutos formam cápsulas
arredondadas de quatro ou cinco lobos rugosos.
A arruda é uma droga forte, quer
seja utilizada em verde, quer em seca.
Nela foram já identificados 110 constituintes químicos,
alguns tóxicos, como certos alcalóides. Por isso, o seu uso interno deve obedecer
a doses muito fracas e ser acompanhado. Basicamente, contém ácido salicílico,
álcoois, ésteres, matérias resinosas e pépticas, flavonóides (especialmente
rutina), óleos essenciais e alcalóides.
As indicações terapêuticas da
"erva das bruxas", nome popular por que também é conhecida, quase enchem uma
página A4. Eis algumas: afecções dos rins e da bexiga, distúrbios menstruais,
asma brônquica, ansiedade, gota, conjuntivite, hemorroidal, ciática, otite,
nevralgias, incontinência urinária, insónia, prisão do ventre, lombrigas,
sarna, aerofagia, etc., etc.
No "Herbal Food and Medicines in
Sri Lanka" do Dr. Seela Fernando (provavelmente um descendente dos Portugueses,
os quais permaneceram um século no Ceilão), que tive a oportunidade de adquirir
em Colombo, põe a "Ruta graveolens" nos píncaros da tradicional medicina
ayurvédica. Ela é indicada para a prevenção contra a epilepsia, a hipertensão,
o catarro infantil e como anti-veneno. Curiosamente, diz-se que é afrodisíaca
para as mulheres, mas que, para os homens, produz o efeito inverso (que chatice...!).
Entre as muitas mezinhas que
aparecem mencionadas na literatura fitoterápica, escolho a do "remédio para o
"stress", distúrbio que é hoje muito comum, devido à vida agitada que levamos:
Infusão de 5 gramas de folhas num litro de
água. Tomar duas chávenas por dia.
Mas, redobro a advertência: a arruda
é tóxica e contra-indicada para gestantes, lactantes, situações hemorrágicas,
distúrbios menstruais e hipersensibilidade dérmica.
Doses elevadas do "chá" podem
causar gastroenterites, convulsões, hemorragias, abortos, vómitos, tremores e
vertigens.
A utilização directa da arruda,
apesar do seu comprovado poder fitoterápico, tem muito a ver com as
características de cada um e, por isso, todo o cuidado é pouco.
Miguel Boieiro
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Actualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:37 |
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