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Entrada Artigos Ecologia Os Objectivos do Milénio
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Escrito por Carlos Ventura
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Sexta, 05 Fevereiro 2010 23:02 |
in revista NATURAL BEIJA-FLOR - 2010 fev OS OBJECTIVOS DO
MILÉNIO Carlos Campos
Ventura*
Este milénio ainda mal começou (e também poderíamos dizer que,
sob muitos aspecto, começou mal) e já estão fixados objectivos para que, desde
já, actuemos. Para além das próximas décadas, sabe-se lá como será este Planeta
nos próximos dez séculos, como será a Humanidade ou até se haverá Planeta e
Humanidade?
Com a Campanha Milénio das Nações Unidas e a Declaração do
Milénio, a comunidade internacional assumiu publicamente que determinadas questões
são vitais para o desenvolvimento e para a sobrevivência dos seres humanos e
também das outras espécies da Terra.
Os compromissos enunciados são para o curto prazo, já para os
próximos anos, outras envolveriam fôlego profundo e alterações radicais,
inclusivamente de paradigma civilizacional. Estas alguma vez terão lugar? Há
quem pense que sim, e se não for de forma voluntária, então será porque o nosso
estilo de vida será cada vez mais incomportável e portanto obrigará a mudanças
profundas aos mais diversos níveis. E o que é verdade é que em apenas três
décadas, as questões ambientais passaram de "delírios de marginais políticos ou
de intelectuais irrealistas" para o centro dos debates a nível mundial.
2010 foi escolhido como o Ano Internacional da Biodiversidade
e Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Estas duas questões
estão, na verdade, intimamente ligadas, já que sem a erradicação da pobreza e a
correspondente luta premente e diária pela sobrevivência, não será possível
fixar metas mais ambiciosas, inclusivamente ao nível ambiental.
Vejamos então quais são os 8 Objectivos de Desenvolvimento do
Milénio definidos para serem alcançados até 2015:
·
Erradicar a pobreza e a fome. A fome é má conselheira e onde ela manda, não é possível preservar
espécies, paisagens, reservas... Este aspecto de justiça social é inerente a uma
visão global e integrada da vida no Planeta.
·
Garantir a educação primária universal. Ler e escrever é a base de
comunicação e acesso á informação neste mundo cada vez mais globalizado. Na
Europa e em certos outros países esta é uma questão praticamente resolvida, mas
em grande parte deste Planeta o analfabetismo é ainda normal para grande parte
da população.
·
Promover a igualdade do género. A educação, de que falámos no ponto anterior, é em grande
parte do mundo, especialmente deficiente na parte feminina dessas populações, o
que as torna particularmente vulneráveis quanto às questões de sobrevivência.
Esta "metade da Humanidade", umbilicalmente ligada à vida, é indispensável para
a sobrevivência da Humanidade numa base de cooperação e gestão das comunidades
familiares.
·
Reduzir a mortalidade infantil. Nas sociedades tradicionais, a grande mortalidade dá-se nos
primeiros meses e anos de vida. Isto deve-se principalmente às poucas condições
sanitárias e de higiene. Portugal é a prova de que em poucos anos é possível
baixar drasticamente a mortalidade infantil.
·
Melhorar a saúde materna. A mulher é o elo mais fraco nas sociedades. Porque é a
responsável pela família, pela maternidade, pela amamentação, pelas crianças,
pela alimentação, pela manutenção da casa, é sobrecarregada, por vezes de forma
brutal. Melhorar a saúde materna é melhorar a saúde de toda a população.
·
Combater o HIV/SIDA. A SIDA tem ceifado em certos países, principalmente em África, altas
percentagens da população. Foi-se estendendo a todas as camadas do tecido
social, atingindo agora transversalmente qualquer sexo, idade e condição
social. Sendo certo que a SIDA é o resumo e a consequência de condições de vida,
de alimentação e de doença deficientes, cujos alicerces quebram, arrastando
nesse descalabro as resistências mais elementares do indivíduo. É uma causa de
muita morte e enorme sofrimento que, por si só, torna uma sociedade
disfuncional, havendo já países cuja economia (já de si frágil) foi arrasada
pela morte e incapacidade da força de trabalho de milhões de cidadãos atingidos
pela SIDA.
·
Assegurar a sustentabilidade ambiental. Em última análise, é este o objectivo que resume o
que projectamos para o futuro deste Planeta a longo prazo. Sem que esta questão
seja acautelada, nada ao longo deste milénio será possível.
·
Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento. Este milénio será o da cooperação ou
não será. A primeira metade do século XX foi a grande catarse da competição
levada às últimas consequências de destruição: múltiplas pequenas guerras e as
duas grandes guerras, industrializando a morte colectiva de muitos milhões de
militares e civis. A morte, as fomes, a destruição de bens, cidades, comunidades
e formas de vida. Desse meio século que levou o horror ao centro da Humanidade
e da Civilização, pondo-as em causa e interrogando-nos acerca de como
poderíamos continuar a conviver sem nos auto-destruirmos, as nações emergiram
construindo mecanismos e instituições colectivas e mundiais. Desses sofrimentos
monstruosos resultaram portanto lições de fundo, que têm servido para desde o
pós-guerra globalizarem os diálogos, os consensos, a colaboração. É certo que
esta globalização dos contactos envolve também aspectos perversos, mas sem
aprofundarmos os que são positivos, a Humanidade terá poucas hipóteses de
conseguir ultrapassar os desafios que este milénio lhe está já a pôr e porá no
futuro com premência acrescida.
* Dá consultas de Naturopatia na Espiral. É Director
do Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência www.institutohipocrates.pt
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atualizado em Terça, 23 Fevereiro 2010 11:00 |
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