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Verdade Inconveniente, de Al Gore PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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FracoBom 
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 19:45
in revista Natural BeijaFlor
2006 novembro

"VERDADE INCONVENIENTE"

Há hábitos instalados e interesses instalados. E para estes, há verdades que são inconvenientes, se elas ameaçam pô-los em causa. Ora, ao longo das últimas décadas, têm-se acumulado evidências de que o actual modo de vida industrial e de consumo gera poluição incomportável para o Planeta e que, em cada ano que passa, mais essa poluição cresce e se acumula, provocando problemas cruzados e já também inegáveis alterações climáticas. Tudo isto são evidências e não é só porque as sublinha (e nunca é demais fazê-lo) que o filme Uma Verdade Inconveniente é importante. Ele é marcante, além disso, pela forma como as expressa: de forma clara, documentando-as com imagens poderosas, pelas quais se verifica que os factos já são mais que ameaças, nas quais ressalta que o ponto de não retorno está, em certos aspectos, arrepiantemente próximo. É marcante, também, pelo facto de ser um ex-vice presidente dos Estados Unidos a expressar sem reticências e sem tibiezas que a situação do Planeta é dramática e que as decisões para inverter esses perigos têm que ser assumidas com urgência. Porque aderi à causa ecologista em 1971, sei bem como tem sido vertiginosa a velocidade com que estas questões, nesse tempo levantadas por "lunáticos e alarmistas" (era assim que nos chamavam então praticamente todos os cientistas e poderes instituídos), passaram da margem das sociedades para o centro das preocupações que se colocam à humanidade. Al Gore foi vice-presidente de Clinton e a seguir candidato à presidência, que perdeu (está agora estabelecido, por um golpe administrativo), apesar de ter ganho as eleições nas urnas. A presidência de Bush tem sido uma tragédia ecológica. Anos estão a ser desperdiçados na luta pelo Ambiente, deixando que os problemas se agravem e tomem proporções aterradoras. Os Estados Unidos, de longe o país mais poluidor, tem boicotado os objectivos de Quito. Podemos portanto sonhar como o mundo seria mais seguro se as eleições tivessem sido correctas. Mas a realidade é o que é. E a realidade é também que Al Gore é um tipo novo de responsável político de topo a nível mundial, consciente dos problemas que a globalização coloca e que age consciencializando, agitando, promovendo vias concretas de acção.

É preciso dizer que os Estados Unidos são tudo menos um país monolítico. Um facto que raramente é citado é que, apesar do o governo central ter uma política retrógrada, o Estado da Califórnia e mais de duzentas Câmaras Municipais subscreveram o acordo de Quioto. Quer isto dizer que nem os Estados Unidos estão alheados da questão ambiental nem Al Gore está a pregar no deserto.

Falámos do filme, mas Uma Verdade Inconveniente é também um excelente livro, acabado de editar em português pela editora Esfera do Caos. E este movimento lançado por Al Gore não se limita a informar e agitar opiniões. Quer que os indivíduos, as associações e as instituições ajam. Nesse sentido é essencial consultar o site da Câmara Municipal de Cerveira. Nele se encontra o Plano B, com propostas concretas de acção a que cada vez mais instituições autárquicas aderem. Na minha opinião, este movimento é imparável. O tempo urge. E a responsabilidade é de todos.

 

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