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in revista Natural BeijaFlor 2009 junho
ADAPTAÇÃO E
SOBREVIVÊNCIA
A
vida evoluiu baseada na adaptação. A cada momento, há equilíbrios que se fazem
e desfazem. Num momento, as condições para que determinado organismo sobreviva são
excelentes, mas no momento seguinte podem já ser inóspitas. Ao mesmo tempo, as
condições que são óptimas para certa espécie podem ser péssimas para outra. Em
qualquer caso, perante as alterações de condições, os seres vivos têm
mecanismos biológicos e instintivos – mecânicos - de adaptação, internos e
externos, que lhes permitem surfar a onda do mar em permanente mutação que é a vida.
De
forma mais elaborada, desde sempre o ser humano tentou criar condições à sua
volta que o ajudassem na sua sobrevivência – através de vestuário, de habitação,
de tecnologia que o protegessem dos elementos, do frio, das intempéries, dos
ataques de animais ou de outros grupos…
Para
além destas condições externas, que actualmente na nossa sociedade estão
asseguradas para a generalidade da população, resta a condição mais primordial
e intrínseca de criação e manutenção de capacidade de adaptação de um ser vivo –
a alimentação.
Quando,
de manhã, nos vestimos para sair de casa, escolhemos a roupa de acordo com o
tempo que faz. No nosso clima, em Agosto, com muito sol e calor, ninguém sai de
casa com camisolas, sobretudo e chapéu-de-chuva. E, em Janeiro, ninguém sai
para a rua em t-shirt, calções e sandálias.
Então,
porque é que, no Inverno, com frio, chuva ou até neve, comemos gelados? E
porque é que no nosso clima temperado, sendo sedentários e com reduzida
actividade física, nos alimentamos todos os dias com bifes, ovos, frituras e
outros alimentos muito calóricos e energéticos, cujos excessos não conseguimos
queimar e que necessariamente se irão acumular? E porque é que ingerimos as
mais diversas bebidas alcoólicas, às mais diversas horas do dia e da noite? E
porque é que escolhemos ingerir alimentos que foram de tal forma processados que
ficaram nutricionalmente pobres e desvirtuados? Ou seja, nada disto corresponde
às necessidades biológicas do nosso organismo. E, porque não corresponde, vai
inevitavelmente introduzir debilidades nos nossos sistemas de defesa. Estas
deficiências predispõem ao aparecimento de um leque alargado de problemas.
Há
factores que promovem o sistema imunitário, como uma alimentação saudável,
equilibrada e completa, baseada em alimentos naturais, integrais e biológicos;
actividade física e mental acompanhada dos necessários repouso e sono. Mas é
claro que a construção desta capacidade vital começa no momento da concepção. Essa
capacidade vital é herdada dos pais, derivando da constituição deles e também
do estado de saúde em que eles se encontram. Depois, é claro, toda a gravidez é
o erguer de uma estrutura física mas também da capacidade de sobreviver, não só
dentro do útero como ao longo de toda a vida futura desse ser. Na verdade,
estes nove meses estruturam e organizam o edifício vital do indivíduo,
nomeadamente a parte óssea, os órgãos e a capacidade que ao longo de toda a sua
vida ele vai ter para resistir aos mais diversos desafios, agruras, ataques,
doenças…
A
saúde natural tem como primeiro objectivo fortalecer a capacidade do organismo
para que ele cumpra as funções vitais, permitindo assim que esse ser humano
leve a cabo a sua vida de forma saudável.
Para
que isso aconteça, ele tem que ter a capacidade de reagir com adaptação
instantânea, sempre que isso se revele necessário – ou seja, a cada momento. É
isso um sistema vital forte. É isso um organismo saudável.
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