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in revista Natural BeijaFlor 2009 abril
SINAIS DOS MEUS TEMPOS
Yin yang
Oshawa foi o japonês que definiu
como objectivo estratégico trazer a macrobiótica do Japão para o mundo. Fez uma
tentativa pessoal e frustrada nos anos trinta, e acabou por o conseguir após a
II Grande Guerra, quando o Japão foi obrigado a abrir-se e muitos japoneses
jovens (entre os quais discípulos seus) se deslocaram para outros países.
Entretanto, a medicina tradicional chinesa, coreana e em geral oriental,
tiveram uma fortíssima divulgação e muita gente se familiarizou com a sua
filosofia. Mas é verdade que foram principalmente Oshawa e os entusiastas pela
macrobiótica os grandes responsáveis pela divulgação do yjn yang no Ocidente.
Oswava chamava ao yin yang os “óculos mágicos”. Porquê?
O yin yang é o alicerce da
cosmogonia oriental e baseia-se na realidade relativa da vida, composta da
complementaridade de contrários. Estes estão permanentemente diante de nós,
dentro de nós, lidamos com eles a cada momento das nossas vidas e permitem-nos
que aprendamos com eles a interpretá-los e a compreender como os processos da
vida se desenrolam no nosso planeta e para além dele. Exemplos de yin yang são
o feminino e o masculino, a noite e o dia, o frio e o calor, o macio e do duro,
a simpatia e a agressividade, a periferia e o centro, o Inverno e o Verão, a
imobilidade e o movimento, a flora e a fauna, o verde e o vermelho, o exterior
e o interior, a água e o fogo, a lua e a Terra, a dispersão e a concentração, o
alto e o baixo, o choro e o riso, a velhice e a juventude, a madeira e a pedra,
a inteligência e a força, a sensibilidade e a brutalidade, a escuridão e a luz,
o fluido e o sólido, o yoga e o boxe, a aldeia e a cidade, o rectângulo e o
quadrado, o camponês e o operário, o rio e o mar, o sorriso e a raiva, o
intestino e pulmão, o peito e as costas, a mão e o pé, a energia e a matéria, o
espaço e a Terra, o descanso e o trabalho, o vinho e o pão, a água e o sal, a
lua e o sol, o desânimo e a vontade, a esterilidade e a fecundidade, a morte e a
vida…
Durante bem quinze anos, o jogo
fascinante do yin yang ocupou-me, quase poderei dizer, as vinte e quatro de
cada dia. Cada fenómeno, cada acontecimento, cada facto, tudo o que me
acontecia, que eu sentia, via, fazia, pensava, comia… era traduzido em termos
de yin yang. Este treino é utilíssimo para diagnosticar e compreender o
indivíduo. Também o é para identificar os alimentos, os remédios naturais ou o
tipo de actividade que lhe convêm. Mas não só. O estudo do yin yang é, mais que
tudo, um instrumento de auto-conhecimento e de conhecimento da natureza e do
que nos rodeia. Ele é, recordando Oshawa, os óculos mágicos que nos permitem
ver com mais cor, profundidade, relevo, dimensão e dinâmica à vida à nossa
volta e dentro de nós.
*Naturólogo. Dá consultas de
naturopatia na Espiral. É Director Executivo do Instituto Hipócrates de Ensino
e Ciência (
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