|
Naturopatia Clássica e Moderna-II |
|
|
|
|
Escrito por Carlos Ventura
|
|
Quarta, 02 Julho 2008 20:43 |
in revista Natural BeijaFlor 2007 julho
NATUROPATIA CLÁSSICA
E MODERNA -II
A partir do início dos anos oitenta surgiu formação de
naturopatas (e acupunctores, mas hoje não falaremos disso) em Portugal. Porém,
essa formação está longe de ser segundo a perspectiva clássica, ou seja, a
sistematizada pelo francês Marchesseau. Este autor e professor é incontornável
na teoria e na prática da naturopatia de raiz hipocrática - a que em Portugal
designamos por naturopatia clássica e que em França designam por ortodoxa.
Quando, desde o início deste século XXI, se pôs a premência de distinguir entre
a naturopatia de raiz hipocrática e a naturopatia "alopatizada", deparei-me com
o dilema de não haver precedentes na nossa língua para as distinguir. A opção
francesa (ortodoxa para designar a naturopatia de raiz hipocrática) não
me pareceu apropriada, apesar de eu perceber porque foi escolhida. Ela
baseou-se em orto, elemento grego de composição de palavras que exprime
a ideia de exacto, recto (e, por extensão, verdadeiro). E como orto também
significa nascimento (de um astro); origem, percebe-se a intenção de atribuir à
naturopatia hipocrática todo o valor de um corpo teórico original e verdadeiro.
Mas o que se passa é que a naturopatia sempre foi, desde o seu nascimento,
assumidamente heterodoxa: desalinhada, aberta, não dogmática e batendo-se
contra verdades e poderes instituídos e instalados. Faz parte da sua essência e
das suas características evidentes. Tornava-se portanto claro que, se o termo
"ortodoxo" tinha tido alguma oportunidade circunstancial e de integração quando
tinha sido escolhido há dezenas de anos, essa época estava definitivamente
ultrapassada, principalmente com a aceleração social iniciada nos anos sessenta
do século passado. Após longa comparação entre as várias hipóteses de
nomenclatura, os argumentos respectivos, debates com pessoas de várias partes
do mundo, estudo e reflexão, optei, acompanhado por vários colegas, por começar
a referir-me à naturopatia hipocrática, em aulas, conferências, entrevistas e
artigos designando-a como clássica. Porquê? Em primeiro lugar, porque já havia
o antecedente da homeopatia clássica, directamente herdeira de Hahnemann,
que assim se designando se distingue da outra. Segundo, porque a inspiração
primeira da naturopatia hipocrática, Hipócrates (460-377 a.C.), é uma figura
maior da época clássica e o próprio termo clássico é entendido como relativo à
Grécia e Itália Antigas. Todas estas referências separam a naturopatia clássica
da naturopatia moderna, não tendo esta o corpo teórico de compreensão da
interacção entre o ser humano e o Planeta, de avaliação de saúde do indivíduo,
de metodologia de reequilíbrio do organismo nem de prioridades de abordagem da
saúde.
|