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Alimentos animais e de Origem Animal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Carlos Ventura   
Quinta, 02 Junho 2011 09:06

in revista O SEGREDO DA TERRA primavera 2011

ALIMENTOS ANIMAIS E DE ORIGEM ANIMAL

Carlos Campos Ventura ¨

A nossa alimentação consta basicamente de alimentos animais ou vegetais. E, sendo certo que a maior parte é, no nosso clima, de origem vegetal, os alimentos animais (e de origem animal) têm um papel incontornável na alimentação humana.

A alimentação moderna, que se tem afirmado em crescendo desde os anos cinquenta, tem vindo a aumentar em muito o consumo de alimentos animais. Isto foi desencadeado pelo aumento rápido de nível de vida consequente à II Guerra, que incrementou consumos de produtos mais caros e até então mais escassos, fazendo com que a alimentação de largas camadas da população que, até então, sempre tinha sido sóbria e simples, se tenha tornado abundante e depois excessiva em carne, lacticínios, ovos…

O LEITE- para os mamíferos, o leite materno começa por ser o alimento primeiro e ideal durante os primeiros tempos de vida. Neste sentido e nestas circunstâncias, é um alimento completo e absolutamente adaptado a esse ser. A partir, contudo, de certa altura todas as crias deixam de mamar, passando a ingerir alimentos sólidos e necessários à idade pós-lactante. O ser humano é o único que acabou por fazer do leite um alimento para toda a vida, o que seria estranho e difícil, mas seguramente não nocivo – caso se tratasse de leite humano. Mas não é – o leite que é consumido no dia-a-dia é de vaca, que tem muito mais gorduras saturadas e é causa de alergias e intolerâncias. Para além de todos os argumentos, é curioso notar que a principal defesa do consumo do leite se baseia no cálcio. Ora, esta é a sociedade que mais leite bebe (e a todas as horas do dia), mas, contraditoriamente, é também a população que mais sofre de osteoporose… Estamos a falar do leite de vaca. Já em relação aos leites de cabra (disponível em Portugal de produção biológica) ou de burra (não disponível no mercado português), a situação seria bastante mais favorável, visto serem muito mais próximos do leite humano.

PRODUTOS FERMENTADOS DE LEITE – a fermentação láctica anula muitos dos inconvenientes do leite, e acrescenta-lhe vantagens, nomeadamente quanto à compatibilidade com a flora intestinal, reequilibrando-a (ao contrário do leite), nomeadamente em período de toma de antibióticos. A fermentação láctica baixa o PH, alterando o sabor (que fica mais ácido), o odor e a textura. Existem muitíssimas fermentações usadas tradicionalmente pelos mais variados povos, mas no mercado europeu afirmaram-se durante as últimas décadas duas que convém enunciar.

IOGURTE – é sem dúvida o mais popular dos leites fermentados, e as suas qualidades já eram descritas na Antiguidade. É originário dos Balcãs. Fornece vitaminas lipossolúveis e do complexo B e cálcio. Promove a digestão e o trânsito intestinal. É delicioso e pode ser usado em diversas maneiras e sabores.

KEFIR – o kefir nasce no Cáucaso e era principalmente de leite de cabra e de ovelha. Tem um sabor ligeiramente picante, devida à pequena presença de alguma fermentação alcoólica. É também benéfico para os intestinos. É útil se usado externamente em eczemas, porque o seu PH ácido neutraliza a proliferação daqueles microrganismos patológicos na pele.

E depois, há a infindável variedade de…

QUEIJOS – há-os para todos os gostos e para todas as ocasiões. Os frescos têm, na maior parte das vezes, menos sal, mais água e menos gordura, sendo portanto mais recomendáveis. São fonte de cálcio e de minerais.

Há ainda um outro produto, menos falado, que quero sublinhar.

SORO DO LEITE – era já louvado na escola de Salerno, herdeira de Hipócrates na Península Itálica. Resultante da feitura do queijo, encontra-se presente em certos suplementos dietéticos à venda nas lojas de produtos naturais, nomeadamente para ganhar peso, devido ao seu teor de excelentes proteínas completas. Tem muito boa acção terapêutica para fortalecer o sistema imunitário.

OVOS – quase só há ovos de galinha no mercado, devido à industrialização da produção. No mercado biológico, vão existindo pontualmente outras ofertas. É uma fonte de proteína barata e completa, podendo ser incorporada em diferentíssimas preparações. As proteínas encontram-se mais na gema que na clara, apesar de não ser enorme a diferença (cerca de 17 % para cerca de 12 %). Já nas matérias gordas a diferença é abissal: cerca de 33 % na gema para 0,2 na clara.

A clara contém um complexo não assimilável pelo organismo, pelo que não deve de maneira alguma ser comida crua.

A gema contém bastante e boa proteína. Contudo, contém também alta taxa de gorduras, nas quais se inclui o colesterol. Dito isto, para quem tenha uma saúde regular, o consumo de dois a três ovos por semana está bem. Quem porém tenha problemas hepáticos ou cardíacos, deve moderar o seu consumo.

CARNES – a carne e os seus produtos são cada vez menos encarados como o protótipo do alimento proteico. Na realidade, a relação proteína-gordura pode muitas vezes ser ganha pela gordura. Por exemplo, na salsicha há o dobro da gordura em relação à proteína e na costeleta de carneiro é bem mais do dobro. Outro aspecto negativo é que a carne praticamente não tem hidratos de carbono nem fibras. Regra geral, os enchidos e a charcutaria têm mais sal e gordura que a carne propriamente dita. Para o funcionamento intestinal, o consumo actual, excessivo, de carne é desastroso. Para o ambiente, mais ainda. Mas sublinhemos que a produção biológica implica um outro equilíbrio - melhor, incomparavelmente melhor.

PEIXE – Portugal é o terceiro país que a nível mundial mais peixe consome per capita. País costeiro e estreito, ainda por cima atravessado em grande parte do seu território por rios maiores ou menores, é normal que o peixe sempre tenha sido uma fonte alimentar importante do povo português, mesmo ainda antes da fundação da nacionalidade. Portanto, ao longo de milhares de anos, a gastronomia contendo peixe no nosso território foi criando uma enorme diversidade e riqueza, muito apreciada aliás por nacionais e estrangeiros. Daí que, como sabemos, seja tão fácil no nosso país encontrar e comer peixe. Contendo proteínas de grande valor e quantidades importantes de vitaminas hidrossolúveis, há-os também ricos em vitaminas lipossolúveis – os peixes gordos.

Estes são, resumidamente, os principais alimentos animais ou de origem animal. Uma alimentação diária equilibrada não precisa de ter mais do que 15 % de alimento proteico. Mas esta percentagem só em parte deve ser composta pelos alimentos acima enunciados. Na verdade, a maior parte convém ser de alimentos proteicos vegetais (principalmente leguminosas ou derivados como o tofu). Por aqui se vê que, em nome da nossa saúde e da do Planeta, poderemos - deveremos - reduzir o que é o actual consumo de alimentos proteicos animais.

¨DIRECTOR DO INSTITUTO HIPÓCRATES DE ENSINO E CIÊNCIA www.institutohipocrates.pt

 

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