Eventos

Entrada Artigos Alimentação Cenoura
Cenoura PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Avaliação: / 2
FracoBom 
Escrito por Miguel Boieiro   
Terça, 04 Maio 2010 10:02

Cenoura

Há pouco mais de meio século, nestas terras arenosas de aluvião, outrora conhecidas por "terras galegas"devido à pobreza de húmus natural, só em escassas courelas se semeavam cenouras. A sementeira deste legume de raiz fusiforme exigia tecnicidade que os nossos camponeses de primores ainda não dominavam para poder rentabilizar a cultura. Hoje, porém, a sub-região da margem esquerda do estuário Tejo é um dos maiores centros produtores de cenoura do País (senão o maior!).

Sem objectivos de propaganda, devo referir, como exemplar, o Agrupamento de Produtores "Primohorta" que durante todo o ano recebe cerca de 30 mil toneladas de cenoura (números estimados), produzidas por mais de uma dúzia dos seus associados, cuidando da respectiva logística, comercialização e expedição. A "Primohorta" abastece actualmente as grandes unidades comerciais do País e exporta regularmente para a Alemanha e outros países europeus, produtos de qualidade, obtidos em modo de produção integrada.

Não há ninguém que não conheça sobejamente bem a cenoura, pois ela faz parte das gastronomias de todo o mundo, integrando sopas, cremes, saladas, refogados, pastelarias, bebidas, etc. É um dos legumes mais incontornáveis que temos ao nosso dispor para confeccionar os melhores acepipes.

Quando na Sociedade Portuguesa de Naturalogia organizamos os nossos habituais jantares de convívio, costumámos servir suco de cenoura, provinda de produtores nacionais que generosamente nos fornecem a quantidade pretendida. Todos os comensais destes repastos vegetarianos são unânimes em gabar a bebida que eu, arrojadamente, afirmo vir das melhores cenouras do mundo.

Cientificamente, esta herbácea bienal, dá pelo nome de Daucus carota L e pertence à família das umbelíferas ou apiáceas. Suspeita-se que a cenoura silvestre é oriunda do Afeganistão, tendo chegado à Europa Ocidental por volta do século XIII, se bem que muitos autores a refiram como conhecida desde épocas bem mais remotas.

A Daucus carota é uma planta que hibrida com facilidade, dando origem a muitas subespécies, cujas raízes podem ser amarelas, brancas, róseas e até roxas. Na Europa, a espécie mais apreciada dá pelo nome de "Cenoura de Nantes"e praticamente não conhecemos muitas outras, contrariamente ao que acontece no Oriente.

A cenoura possui fibras, antioxidantes, pectinas, ácido fólico, açúcares, óleo essencial, minerais (potássio, sódio, cálcio, fósforo, enxofre, magnésio, silício), vitamina E, vitaminas do complexo B e sobretudo, beta-caroteno. É o beta-caroteno, ou pró-vitamina A, o constituinte que faz da cenoura um remédio ímpar, pois induz o organismo a produzir a vitamina A, a qual é fulcral para melhorar a visão, manter o bom estado da pele, do cabelo e das mucosas, limpar o fígado e a bílis e regular o funcionamento do aparelho digestivo.

A melhor maneira de tirar proveito das virtudes dietéticas da cenoura é comê-la crua. Aliás, ela jamais deve ser descascada; basta lavá-la e raspá-la, pois os elementos mais nutritivos encontram-se junto da pele.

São imensas as propriedades medicinais atribuídas à cenoura, para além das já mencionadas: anti-séptica, anti-microbiana, diurética, emoliente, estimulante do sistema linfático, rejuvenescedora, suavizadora, remineralizante e bronzeadora.

A propósito deste último atributo, devo dizer que os grandes comedores de cenoura, apresentam habitualmente uma tez amarelada, aparentemente doentia, que é apenas uma consequência do respectivo pigmento. Pois bem, basta irem uma vez à praia para adquirirem o tom bronzeado da moda, evitando assim o uso dos artificiais bronzeadores, muitas vezes tão nefastos para o organismo.

A cenoura, quando crua, deve ser sempre ingerida fresca porque oxida com facilidade. A rama da cenoura é tão nutritiva como a raiz e entra lindamente na preparação de sopas, desde que previamente se tenha a garantia de que não sofreu tratamentos tóxicos.

Duas receitas populares, muito antigas:

1 - Xarope preparado com cenouras finamente cortadas e misturadas com açúcar integral ou mel. Colocar num prato ao relento durante a noite e tomar no dia seguinte. É ideal para as bronquites infantis.

2 - Infusão de 10 g das sementes num decilitro de água. Serve para aumentar o leite nas mulheres que amamentam.

De resto, se querem ter os olhos bonitos, comam cenouras!

 

Subscreva Newsletter

Medicinas Não Convencionais


Receber em HTML?