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A Pia e a Sanita Versão para impressão Enviar por E-mail
Medicinas Não Convencionais - Higienismo/Higiene de Vida
Escrito por Carlos Ventura   
Sexta, 05 Março 2010 23:40

in revista NATURAL BEIJA-FLOR 2010 mar
                                                                                                                         A PIA E A SANITA

Carlos Campos Ventura*

Ao longo do século XX, a humanidade e o planeta Terra sofreram muitíssimas mais transformações do que em toda a História. É verdade que estas transformações profundas e globais se cristalizaram na mais essencial das dimensões: a alimentação - que nutre, mantém a saúde, provoca a doença e constrói o bem-estar dos seres humanos. Mas também a habitação se transformou, com a vitória da privacidade, do conforto e da higiene.

Ainda há poucas dezenas de anos, as habitações tinham meios reduzidos de escoamento dos detritos domésticos. Mas o saneamento básico, primeiro inexistente e depois incipiente, está felizmente hoje ao alcance de todos. Como já escrevi na revista Natural Beija-Flor em Julho de 2009, a cozinha, que sempre tinha sido o centro da casa, deixou nas últimas décadas do século XX de o ser. Na cozinha cozinhava-se e vivia-se; comia-se e convivia-se. Houve a lareira e desde certa altura o fogão. Dantes cozinhava-se - em todas as casas. E hoje em muitíssimas casas não se cozinha, e onde se cozinha são usados produtos que integram pré-cozinhados, pré-lavados, pré-cortados,... reduzindo os passos dos cozinhados. 

E havia também a pia. Esta era essencial à higiene da casa. Por ela se escoavam as águas sujas e os dejectos. Os despejos das águas das várias limpezas da casa - roupa, louça, móveis, chão, paredes, etc. - eram feitos através da pia. A sopa estragada e todos os líquidos eram despejados na pia. É preciso não esquecer que as casas de banho eram raras. Não havia portanto (na maior parte das casas) banheiras, duches, ou sanitas. Os banhos eram tomados em grandes tinas onde se punha água aquecida em grandes panelas. E depois a água utilizada era descarregada - também - pela pia. As necessidades fisiológicas eram realizadas num bacio, e depois estas fezes e urinas eram despejadas, é claro, na pia. É claro que estes procedimentos já nos são hoje em dia completamente estranhos.

Em resumo, enquanto ainda há poucas dezenas de anos as águas sujas eram escoadas a partir do espaço da cozinha (onde normalmente se localizava a pia), actualmente as águas sujas produzidas têm principalmente a ver com a higiene (pessoal) e são escoadas a partir da casa de banho. Para todos os efeitos, não será incorrecto dizer que o centro da casa se deslocou da cozinha para a sala de banho - quer dizer, da saúde e limpeza interiores para as exteriores. É indubitável que a Europa viveu mais de mil de enorme sujidade e aversão à água para uso pessoal. Isso levou a doenças, nomeadamente nas cidades, onde a aglomeração de grande número de habitantes e inexistência de água nas casas, de esgotos e recolha de lixos criou situações explosivas de epidemias e doenças da mais diversa ordem. Actualmente, porém, a higiene tornou-se num mito em muitos casos prejudicial, com o uso de produtos tóxicos para o seu humano e para o ambiente, gastos inúteis de demasiada água e banhos diários com produtos de higiene e cosmética que muitas vezes fazem mais mal do que bem.

Por tudo isto a pia e a sanita podem ser identificadas como os símbolos desta mudança da atitude.

*Director do Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência www.institutohipocrates.pt

 

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