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Nuclear? Não Arigato II Versão para impressão Enviar por E-mail
Medicinas Não Convencionais - Ecologia
Escrito por Carlos Ventura   
Terça, 28 Junho 2011 11:03

boletim da Sociedade Portuguesa de Naturalogia - EDITORIAL de 2011 julho - NUCLEAR? NÃO ARIGATO II

O problema atinge tantos milhões de pessoas, e também a fauna, a flora e todo o ambiente, que não podemos deixar de o destacar. O desastre nuclear de Fukushima lançou de novo sobre o Japão (após as duas bombas atómicas da II Grande Guerra), o caos nuclear, mas desta vez sob a forma de "nuclear pacífico"! O desastre aconteceu a 11 de Março último e desde então a situação continua muito grave, possivelmente fora de controlo em variados aspectos e tendo já irreversivelmente danificado por longos anos a saúde da população e o ambiente de largas zonas marítimas e terrestres.

Já em Agosto de 2007, na revista Natural Beija-Flor, eu escrevia, com o título NUCLEAR? NÃO, ARIGATO! um artigo em que dizia: "Nos últimos anos, o lóbi nuclear tem andado muito activo (...) perseguindo os seus objectivos, fazendo campanha (...) para convencer os governos, os investidores e a opinião pública de que o nuclear agora já é seguro. Os acidentes, têm dito, são coisa do passado. E Chernobyl? Sim, foi um horror... mas por culpa dos soviéticos (...) que usavam tecnologia ultrapassada. A actual é infalível!" O trágico é que o que se passa agora, quatro anos passados, nos aparece como filmes tragicamente repetidos, para os quais nós alertamos desde há muito.... como se vê pela conclusão desse artigo: "(...) no mês passado ocorreu mais um acidente grave. Onde? No Japão, país tecnologicamente avançado, cumpridor, meticuloso... Então e agora? Bom, agora o lóbi nuclear assobia para o lado e espera uns meses calado. E depois volta à carga. Uma coisa é certa: desistir, nunca vão desistir."

Pois bem, nós também não. Há mais de trinta anos, mobilizámo-nos a nível nacional contra a intenção de ser montada uma central nuclear em Ferrel. Vencemos. A este propósito, falei agora com o nosso sócio Afonso Cautela, que me precisou que as primeiras reuniões para essa luta foram no centro macrobiótico Unimave da Rua da Boavista. Ontem como hoje, nós sabíamos que as centrais nucleares são roletas russas que a qualquer momento matam e que depois de desactivadas continuarão a ser resíduos altamente radioactivos ao longo de centenas de milhares de anos. Como consequência desta última tragédia no Japão, pela primeira vez na Europa há governos a assumir que vão desistir da energia nuclear. Antes tarde que nunca, mas o que me parece é que se o lóbi nuclear não conseguir vender centrais nucleares na Europa, vai vendê-las para África e outros países onde a opinião pública seja menos forte... Desistir? Não, nunca vão desistir. Pela nossa parte, a luta continua.

Uma última palavra para heróis que não podem ser esquecidos: como já acontecera em Chernobyl, agora no Japão há quem se embrenhe nos escombros da central, fazendo um trabalho que os condena à morte certa a curto prazo, mas que salva muitíssimos outros. O seu comovente sacrifício dá-nos a certeza de que a solidariedade e a responsabilidade para com a comunidade podem ser genuínas e absolutas.

Carlos Campos Ventura
-Presidente-

 

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