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Medicinas Não Convencionais - Ecologia
Escrito por Carlos Ventura   
Segunda, 09 Junho 2008 21:04

in revista Natural BeijaFlor
2005 novembro        

          Sísifo era um personagem trágico da antiga Grécia, que empurrava uma enorme pedra até ao cimo de uma montanha. Chegada ao topo, a pedra rolava até à base e Sísifo tinha que a arrastar de novo até ao topo. Condenado a um esforço interminável e a uma função sem sentido, à negação de um novo objectivo e do início de uma experiência diferente, Sísifo é prisioneiro de um destino circular e repetitivo. A vida evolui de forma espirálica e ao longo desse caminho há fenómenos e experiências que se sobrepõem a outros semelhantes, sendo porém assimilados de forma superior, devido, por uma lado a um passado que não se repete da mesma forma e por outro a uma já melhor compreensão de experiências eventualmente semelhantes a outras anteriores. Mas há momentos da História em que parece que a condenação de Sísifo parece actual. Albert Camus escreveu sobre "O Mito de Sísifo", que aliás era um personagem que os existencialistas sentiam como próximo. Emparedados entre as duas guerras mais mortíferas da História, que devastaram o coração da Europa e renegaram os valores cristãos, alicerces ideológicos deste continente, os existencialistas reconheciam o absurdo e o sem sentido da vida como matriz do comportamento humano. No presente, já portanto no século XXI, a esperança nos amanhãs que cantam deixou definitivamente de fazer parte dos nossos horizontes. Em qualquer ponto do espectro político ou ideológico, os seres humanos sempre acreditaram que uma espécie de paraíso poderia vir a ser possível. Porém, hoje tornámo-nos mais realistas - ou talvez mais cínicos ou mais conformados. Vivemos o dia-a-dia, perante os sinais cada vez mais evidentes de que o futuro das próximas gerações está assombrado por ameaças que nós não estamos a conseguir resolver e estamos até a piorar. A pedra que carregamos até ao topo da montanha é cada vez mais pesada e maior - mas não lhe damos importância porque agora já não a levamos às costas, transportamo-la de camião... A questão é que ela continua a rolar até à base, com cada vez mais estrondo e mais danos ambientais e humanos.

atualizado em Segunda, 09 Junho 2008 21:32
 

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