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Livro "A Sociedade Portuguesa de Naturalogia e o Naturismo em Portugal", Prefácio Versão para impressão Enviar por E-mail
Medicinas Não Convencionais - História
Escrito por Carlos Ventura   
Quinta, 15 Novembro 2012 21:59

Livro "A Sociedade Portuguesa de Naturalogia e  Naturismo em Portugal", Edição SPN, 2012 PREFÁCIO

Carlos Campos Ventura

Presidente da Sociedade portuguesa de Naturalogia

Este ano do centenário da Sociedade Portuguesa de Naturalogia é a altura adequada para expor as memórias de quem viveu por dentro a SPN durante mais de metade desse século.

António Cardoso é sócio desde os anos quarenta, portanto há mais de sessenta anos – ou seja, muito provavelmente o sócio vivo mais antigo e seguramente aquele que ao longo da História desta sociedade, de forma mais persistente militou, exerceu cargos e se envolveu com a SPN – eu diria, na SPN, porque a SPN passou a ser para ele uma verdadeira casa. A sua inscrição não foi um simples acto formal, mas uma imersão na vida da SPN que, será bom precisar, se situava num Portugal extremamente diferente do actual: era um país sob um regime autoritário, sem eleições nem liberdade, fechado culturalmente, no qual este tipo de movimentos, heterodoxos e desenquadrados, vivia numa marginalidade discreta e era encarado pelo poder com extrema desconfiança.

Deste livro ressaltam alguns aspectos que vou sublinhar.

Antes do mais, é claro que este livro não pretende ser uma História do movimento natural, mas uma coletânea de memórias acerca de pessoas e acontecimentos, enumeradas sob um ponto de vista pessoal por quem os viveu e conheceu. A História vive também do cheiro e da cor das memórias que, sendo vivências, podem ser ou não ser objectivas mas nos permitem sentir tempos e lugares onde as histórias da História tiveram lugar e existiram. É portanto inquestionável o interesse deste depoimento que o nosso companheiro António Cardoso escreveu com a sua letra miúda e regular e nós publicamos.

Do que acima disse se infere que outros activistas teriam inevitavelmente outra perspetiva dos períodos e factos agora relatados. Por exemplo, António Cardoso aproximou-se do vegetarianismo, do naturismo e da SPN a partir do seu posicionamento espiritualista, que mantem até hoje e que amiúde evoca neste manuscrito. Mas na SPN sempre militaram sócios com diferentes visões desta, que portanto olhariam diferentemente o papel e as acções da SPN. O que é essencial sublinhar é que ao longo destes cem anos a convivência, o convívio e a colaboração entre sensibilidades diversas foram possíveis e profícuas. Foi essa diversidade que permitiu a sobrevivência da SPN e o respeito com que é olhada. As instituições, os profissionais e os adeptos da saúde natural sabem que a SPN é como a mãe deste movimento no nosso país. Ela nutriu os variadíssimos movimentos, tendências e práticas da alimentação, da saúde e das medicinas naturais; nas suas instalações se albergaram e encontraram abrigo, aqui reuniram e se divulgaram através de palestras, folhetos, artigos e entrevistas no seu jornal…

Cem anos comportam inevitavelmente muitas vitórias e derrotas, muitas decisões correctas e outras erradas, muito caminho bem traçado e outras vezes sem direcção ou sentido. A SPN nasceu com o advento da República, durante a qual ganhou forte impacto; atravessou penosamente o meio século de ditadura sem nunca baixar os braços e floresceu de novo quando em 1974 a liberdade voltou. Temos portanto três grandes capítulos temporais, três épocas muito diferentes. Poderemos dizer que agora, quando a SPN inicia o seu segundo século, um novo tempo pode começar. A democracia portuguesa está consolidada, existe uma lei das medicinas não convencionais e a SPN pode agora assumir a sua longevidade entrando na idade da sabedoria. Desde o início do século XX que a sociedade portuguesa e a Sociedade Portuguesa de Naturalogia crescem em conjunto, evoluem em conjunto, aprendendo juntas a difícil arte da construção colectiva do bem comum e da democracia. Ambas têm futuro e estão a construi-lo. A SPN tem contribuído para que a sociedade portuguesa seja melhor, mais saudável e mais justa. Continuará, continuaremos a fazê-lo.

 

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