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Hipócrates e o Natural Versão para impressão Enviar por E-mail
Medicinas Não Convencionais - História
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 29 Outubro 2008 17:56

in revista Natural Beija-Flor 2008 out
HIPÓCRATES E O NATURAL

É com Hipócrates que a intervenção na saúde humana se assume como fora do sobrenatural.

Até então, não havia uma fronteira clara entre o profissional de saúde e o feiticeiro. Da mesma forma, não havia também a clarificação da diferença radical existente entre, por um lado métodos naturais e substâncias naturais e, por outro lado invocações a deuses e forças sobrenaturais.

Hipócrates assumiu que “nenhuma doença tem causa sobrenatural”, e esta frase tão simples estabeleceu e sintetiza um novo paradigma em relação à doença, à saúde e à compreensão do ser humano.

Até então viveu-se a era da medicina mágico-religiosa. Esta caracterizou-se por ser exercida por personagens carismáticas, encaradas como intermediários entre o doente e os deuses e forças elementares e sobrenaturais. As doenças eram sentidas como causadas por espíritos maléficos e o feiticeiro (na medicina Mágica) ou o sacerdote (na medicina Religiosa) cumpriam os rituais apropriados à invocação dos espíritos, das forças ou dos deuses, necessária para a melhoria ou salvação do doente. Estes rituais eram precisos, repetidos incessantemente e reproduziam invocações, passes e rezas.

Hipócrates define um código de relação directa entre o profissional de saúde e o ser humano, sem que ela seja intermediada por forças ocultas. Este código refere-se ao comportamento moral, erguendo um edifício de respeito entre seres humanos. Em relação à compreensão do tratamento, Hipócrates segue o corolário lógico da asserção de que as doenças não têm causa sobrenatural. E se as doenças têm causas naturais, então essas doenças têm que ser tratadas com métodos e agentes naturais, e não sobrenaturais.

Este impulso seminal não se limitou a ter uma influência decisiva no seu tempo e na Antiguidade Grega e Latina. Influencia até hoje as bases da prática médica e de todas as profissões da saúde. Por extensão, o código deontológico criado por Hipócrates serviu de modelo para os códigos de outras profissões, como a advocacia, que nada têm ver com a saúde.

Os seus Aforismos foram repetidos durante séculos, estudados e interpretados como a Bíblia da prática médica e os seus textos copiados, traduzidos e editados em toda a Europa, no Próximo Oriente e no mundo Árabe. Ele é também o lídimo representante da escola de Kós, uma das duas escolas gregas que balizaram a medicina clássica.

Em todas as histórias da medicina e das ciências da saúde, Hipócrates é o pai do que hoje reconhecemos como medicina, seja ela convencional ou não-convencional. A sua actualidade é gritante em muitas vertentes. Entre as quais, especificamente no contexto de regulamentação das medicinas não convencionais que estamos a viver, tem que se destacar que Hipócrates moldou uma profissão que se assumiu como nova segundo um quadro definido por responsabilidades deontológicas e um corpo teórico poderoso e coerente.

Por tudo isto e por muito mais, o estudo de Hipócrates é incontornável.

Na margem permanece a medicina popular, na Europa acantonada hoje numa realidade suburbana, uma vez esgotada a civilização agrícola que foi o seu viveiro durante milhares de anos.

NOTA- neste Outubro, às Quintas-feiras pelas 18h30, o Museu Municipal República e Resistência, em Lisboa, leva a cabo um ciclo sobre Hipócrates, na Antiguidade e na Actualidade, em colaboração com o Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência.. Programa e mais informações no site do Instituto Hipócrates.

 

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