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Bases para a História do Movimento da Saúde Natural Versão para impressão Enviar por E-mail
Medicinas Não Convencionais - História
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 14:14
in revista Natural BeijaFlor
2006 março
Bases para a História do Movimento de Saúde Natural
A saúde natural em Portugal não nasceu ontem. Pelo contrário, tem uma longa história que se estrutura, conjuntamente com a saúde natural europeia, a partir do século XIX e contou ao longo de todo este tempo com personalidades e instituições de grande qualidade, que tiveram uma intervenção corajosa na sociedade portuguesa, que ajudaram a melhorar sob múltiplos aspectos. Agora que estamos no limiar de uma nova era neste campo, com a regulamentação das profissões na sua fase final, é a altura de fazer pela primeira vez um balanço global  - e com o aprofundamento possível - dos principais aspectos que ao longo do século XX marcaram esta História. Em 1997 fiz uma primeira abordagem institucional, mais lata, ao organizar um ciclo a que chamei "Natureza e Equilíbrio Sob a República e o Estado Novo". Nele foram oradores Cesina Bermudes, Graça Mexia, Isabel do Carmo, José Louza, Carlos Antunes, Delgado Domingues, Carlos Ventura, Helena Rainha, António Cardoso, Furtado Mateus e João Santos. Os temas expostos foram o parto psicoprofilático, a ecologia, as instituições de saúde natural, os naturopatas e as personalidades da saúde natural portuguesas.

Desta vez, às 21 horas de todas as quartas feiras deste mês de Março e na mesma instituição municipal, a Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Cidade Universitária), vamos estudar sistematicamente a História do Movimento de Saúde Natural, dividindo-a em três grandes períodos: até ao fim da I República; durante o Estado Novo; desde 1974. O programa e os conferencistas estão detalhados na Agenda desta Revista. Vale a pena, porém, destacar a importância deste ciclo, em muito derivada da qualidade dos intervenientes e do particular conhecimento que possuem acerca dos temas que tratarão. O professor Jacinto Rodrigues escreveu um magnífico livro acerca do Padre Himalaia, para o qual investigou documentos que até então não tinham sido desvendados. O naturista Manuel Pinhol foi presidente da Sociedade Portuguesa de Naturalogia - SPN, o que lhe permitiu acesso a documentos antigos da História da naturalogia. O dr. Eduardo Ribeiro foi discípulo do mestre José Lyon de Castro e estudou as obras do fitologista Oliveira Feijão, sendo portanto particularmente indicado para falar sobre eles. O jornalista Vítor Quelhas nasceu numa família que de há várias gerações segue os tratamentos hidroterápicos, o que o  levou a estudar desde jovem os ensinamentos dos abades Kneip e Kuhne e do naturista Vander. O professor João Ribeiro Nunes é actualmente um dos naturopatas que há mais tempo exerce, tendo bebido os ensinamentos dos estrangeiros que mais influência tiveram em Portugal, como é o caso de José de Castro, Ferrandiz e Capo. O dr. Manuel Branco foi assistente do mestre Colucci e conheceu por dentro o Instituto de Paço D`Arcos. E quem melhor falaria da Farmácia Homeopática do que a sua proprietária e sobrinha do primeiro director técnico, D. Helena Rainha? Quanto ao dr. António Cardoso, ele é hoje em dia quem melhor conhece a SPN, que frequenta desde há seis décadas. O professor Francisco Varatojo tem sido o mais activo dinamizador do movimento macrobiótico desde há um quarto de século, estando portanto particularmente habilitado para o descrever. O ecologista Afonso Cautela foi o fundador do movimento ecologista português, sendo um conhecedor profundo desta matéria. Eu envolvi-me com a ecologia em 1971, tenho desde há muito intervindo na imprensa e na edição deste área, assim como na actualíssima questão das profissões e do ensino. O dr. José Faro é um dos mais activos intervenientes no debate da legalização destas profissões. O filósofo Antunes de Sousa tem sido professor na área da epistemologia nestes cursos e o professor José Menaia, director científico do Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência, está particularmente habilitado e colocado para articular a charneira entre a ciência e o empirismo.

Actualmente é generalizado o recurso a profissionais de naturopatia, fitoterapia, acupunctura, homeopatia, quiroprática, osteopatia (as especialidades aprovadas na Assembleia da República por unanimidade em 2003) e de outras práticas - após décadas em que este sector esteve remetido a uma semi-clandestinidade, tendo sido ignorado ou mesmo perseguido pelo poder. Mas foi ao longo do século XX que ganhou incontornável expressão em Portugal - e no resto do mundo - este movimento que encara o organismo como um todo interdependente e integrado. Este ciclo de conferências e debates visa compreender o século XX natural português, a partir das figuras e das instituições que o construíram. Estas conferências (como aconteceu com as de há nove anos) serão videogravadas, podendo no futuro ser uma excelente base de trabalho para investigadores. Nesse sentido, elas são testemunhos insubstituíveis da nossa História, já que os conferencistas (e seguramente muitos dos assistentes) têm sido participantes vivos dos acontecimentos tratados e conheceram de perto as figuras e por dentro as instituições apresentadas. A entrada é livre. 

 

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