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Medicinas Não Convencionais - História
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 14:08
in revista Natural BeijaFlor
2006 fevereiro
Hipócrates Hoje
Nos livros de História da Medicina ou de qualquer área da saúde, Hipócrates tem lugar cativo. Neles, apontado como fundador da medicina, colocado num pedestal de mármore, frio e morto, ele é referido como não mais que um nome e um arcaísmo, arredado do saber actual, da prática actual e da realidade actual. Porém, esta não é (ou não deveria ser) a visão que a Naturopatia tem acerca de Hipócrates. Para nós, ele não é só um ícone, mas uma fonte de inspiração e os seus aforismos continuam a conter reflexões sábias e actuais. As suas normas deontológicas continuam a alicerçar comportamentos dignos e elevados entre o profissional e os clientes, entre o profissional e os colegas e no geral entre os seres humanos. Todos os profissionais de saúde ganhariam em estudar os seus escritos e em interpretar a sua importância seminal na História da Medicina e da sua prática. Isto é particularmente verdadeiro para os profissionais e estudantes das medicinas não convencionais.

O respeito por Hipócrates era um dos traços que me unia a Adriano de Oliveira, um dos nomes mais marcantes da naturologia portuguesa. Ao lado da sua secretária, no consultório da Rua Andrade Corvo, ele tinha afixado um busto de Hipócrates e duas décadas antes   tinha integrado um movimento europeu designado "neo-hipocrático". Confiou-me uma antiga publicação desse movimento e falou-me longamente da sua oportunidade. Tudo isso me incentivou a lançar, em 1997, os Prémios Hipócrates, outorgados nesse ano e nos três seguintes. Com eles foram distinguidos personalidades e instituições relevantes para a saúde individual e colectiva dos portugueses. Em 2000 ajudei a criar, com Afonso Cautela, a Academia Hipócrates das Ciências da Saúde, que agrega aqueles nomes. E em 2004 instituí o Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência que no âmbito da Universidade Independente lecciona cursos de medicinas não convencionais. Em múltiplos artigos, conferências e aulas tenho batalhado pela afirmação da memória e pelo estudo da obra de Hipócrates, que contribuirão para a aplicação e vivificação dos seus princípios filosóficos e de posicionamento profissional. Antes, em 1988, alertara para a falha indesculpável da inexistência do ensino da História das Ciências da Saúde e da Deontologia nos cursos de medicinas não convencionais e dispus-me a suprir essa lacuna. Inaugurei então o ensino dessas matérias em Portugal, dedicando-me até hoje a leccionar essas disciplinas. A História e a Deontologia integram-se no "saber ser". Infelizmente, os cursos nesta área continuam a dedicar uma atenção exclusiva ou quase ao "saber fazer". Porém, uma profissão constrói-se não só com a prática mas também com cultura, auto-consciência e responsabilidade social. Sem o conhecimento da sua História, sem um posicionamento deontológico assumido, não há profissionais conscientes e a profissão continuará a encontrar resistências que de outra forma seriam compreensivelmente menores. Muita gente tem estranhado a minha insistência neste assunto, mas contas feitas é honroso verificar que nestes dezoito anos a minha "extravagância" de então fez o seu caminho, estando a História e a Deontologia já presentes em alguns cursos, apesar de frequentemente o seu ensino ser muito pela rama e a leccionação feita por curiosos e impreparados ou, noutros casos, por gente que não é do sector (advogados, historiadores, etc.) e que, por muita boa vontade que tenham, não conseguem conhecer e interpretar as necessidades do ensino para os alunos desta área. Embora haja pontos comuns, ensinar História da Naturologia não é o mesmo que ensinar História da Medicina, assim como ensinar deontologia a estudantes de Direito ou de Enfermagem não é o mesmo que ensiná-la a estudantes ou profissionais de Medicinas Não Convencionais.

Apesar de todos os esforços, nos bastidores da História, Hipócrates continua à espera...

 

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