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Medicinas Não Convencionais - Alimentação
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 05 Outubro 2011 14:48

intervenção no III Fórum de Saúde Natural de Alcântara, organizado pela Junta de Freguesia e pelo Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência e 2011 out 8

PLANTAS SILVESTRES COMESTÍVEIS

Há tempos tive o prazer de participar numa iniciativa do Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente que se realizou no concelho do Cadaval. Tratou-se de uma Oficina de Ervas Comestíveis que reuniu cerca de 40 participantes. Tivemos sorte! Não choveu e pudemos caminhar pelas encostas da Serra de Montejunto, num agradável passeio pedestre para descobrir plantas comestíveis no seu habitat. O melhor, no entanto, foi o almoço preparado pela organizadora do evento, Dr.ª. Alexandra Azevedo: sopa de cardos, sopa de urtigas, esparregado do campo (com almeirões, acelgas, mostardas-negras, eneixas, labaças), pão de bolotas, feijão-branco com almeirões, feijão-vermelho com funcho, maionese com sementes de linho, empadão de diversas ervas, queijo fresco, semi-frio de amoras das silvas e muitas outras iguarias obtidas directamente da natureza.

Felizmente que não se tratou de um evento isolado, pois temos conhecimento que se multiplicam por todo o lado, acções como esta para recuperar vegetais esquecidos que outrora fizeram parte da ementa humana. É uma moda salutar que está aí para nos lembrar que há muitas maneiras de combater a crise alimentar que acompanhará a crise económica, financeira e psicológica que se instalou no nosso País e um pouco por todo o mundo.

Na sabedoria popular consta uma longa lista de espécies de plantas silvestres usadas para fins alimentares, quer em substituição ou complemento das plantas hortícolas, quer como condimentos.

A industrialização crescente da sociedade foi-nos afastando destes conhecimentos populares e inúmeras plantas comestíveis passaram a ser ignoradas e consideradas simplesmente daninhas, sendo-lhas impiedosamente aplicados métodos de destruição, como a aplicação de herbicidas, em vez de se lhes ser reconhecido o seu valor e utilidade.

A prática de recolecção de recursos alimentares silvestres foi outrora muito difundida, sendo por exemplo, uma das características da dieta mediterrânica (também agora em moda), visto que o clima especial da região favorece o desenvolvimento de várias espécies. O seu declínio deveu-se também a uma conotação negativa, pois ficaram recordações de tempos de escassez em que os recursos silvestres eram muitas vezes os únicos disponíveis. Contudo, a recolecção não se extinguiu por completo e em várias regiões, com destaque para o Alentejo, se confeccionam pratos que, com o seu sabor e qualidade, superam os confeccionados com variedades cultivadas.

Embora muitas espécies existam em diversas regiões, o conhecimento sobre as suas utilizações culinárias difere, dependendo de factores socioculturais, sendo maior o consumo verificado em terras mais isoladas, com escassez de alimentos comerciais e condições menos propícias ao cultivo de variedades agrícolas.

Independentemente de haver ou não um passado etno-cultural no consumo, procura-se abrir horizontes e alargar as potencialidades gastronómicas das nossas plantas alimentares silvestres. As próprias autarquias locais vêm estimulando o uso de recursos endógenos, captando também o interesse turístico. Estou-me a lembrar, por exemplo, no festival do chícharo que todos os anos se realiza em Alvaiázere, do festival da batata-doce em Aljezur, da festa da castanha em Marvão, da festa da cereja em Alcongosta (Fundão), do festival do pão, do vinho e do queijo na Quinta do Anjo (Palmela), da festa do mel, do queijo e do enchido em Vila de Rei, etc., etc.

Aliás este caminho já está trilhado em várias regiões do mundo, destacando-se o Movimento Slow Food que procura recuperar a gastronomia tradicional, a procura de novos sabores e a rejeição da comida rápida e padronizada em modelos industriais tendentes a criar habituações e vícios ao serviço do lucro fácil. Estas realidades poderão ter um papel determinante no desenvolvimento sustentável das povoações e dos seus habitantes. As potencialidades são enormes e há que entusiasmar as populações para os comportamentos sãos que respeitem o ambiente e cultura própria de cada povo.

No que respeita às plantas silvestres há que realçar que em muitos casos elas são mais nutritivas, têm mais antioxidantes e apresentam-se biologicamente mais equilibradas, dado vegetarem naturalmente onde as condições são mais propícias.

Devemos fazer um alerta para que a colheita não se faça à beira de estradas e caminhos ou em terrenos tratados com herbicidas porque as plantas também captam e fixam resíduos tóxicos nocivos para a nossa saúde.                                                                                                                                                                                     Miguel Boieiro

atualizado em Quarta, 05 Outubro 2011 14:54
 

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