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Medicinas Não Convencionais - Naturopatia
Escrito por Carlos Ventura   
Quarta, 02 Julho 2008 17:17
in revista Natural BeijaFlor
2006 jun
A NATUROPATIA

As raízes da naturopatia: Hipócrates-saber popular-ciência

Hipócrates iniciou uma era nova no saber e criou a profissão de naturopata, separando-a da prática mágica. Com ele, ficou claro que o profissional de saúde recorria aos elementos, substâncias e métodos naturais: alimentação, plantas, água, sol, ar, descanso e não a rezas, exorcismos, amuletos ou outras práticas sobrenaturais. Este passado é comum à naturopatia e à medicina convencional. Mas não só: é também a raiz da ciência moderna.

A naturopatia respeita o saber acumulado ao longo dos séculos e gerações pelas populações humanas. Esse saber tem que ser comparado, triado e avaliado, mas é uma herança preciosa que ajudou a humanidade a sobreviver e que o bom senso aconselha a aproveitar. O uso tradicional das plantas medicinais é, na esmagadora maioria das vezes em que são feitos estudos científicos, confirmado como justificado.

A ciência e a medicina modernas ganham a sua autonomia no século XIX e estabilizam no século XX. Também é no século XIX que as bases da naturopatia actual são lançadas, e no século XX a prática e a teoria são definidas. A naturopatia tem assim um caminho conjunto - mas autónomo - impossível de separar com o espírito e a prática científicos.

Estas três raízes formam um corpo que mergulha no passado e se recria nos tempos mais recentes, estabelecendo pontes entre a Antiguidade e a actualidade, entre a tradição e o saber erudito.

Os pilares da Naturopatia

A prática da Naturopatia é alicerçada em princípios teóricos que a estruturam. De entre eles seleccionei sete que mostram bem a especificidade do pensamento naturopático. I- A força vital: segundo a naturopatia, os organismos vivos têm neles como que uma bússola que os orienta em direcção à conservação e à sobrevivência. A reacção dos organismos vivos em situações de ameaça é básica para a viabilidade da sua integridade e para a reparação de tecidos e órgãos afectados. De notar que esta capacidade de reacção depende da energia vital de que esse organismo dispõe. Um organismo debilitado será mais susceptível de sucumbir a situações que outro mais forte ou fortalecido ultrapassaria. II- Condições adversas ou favoráveis à vida: deficiências e desequilíbrios na alimentação, no ar que se respira e em que se vive, no acesso à luz solar e ao sol, na actividade física e mental, no repouso físico e mental, na higiene de vida enfraquecem a força vital e criam condições ao aparecimento de doenças. A existência ou reposição de condições favoráveis ajuda a manter ou a recuperar a saúde. III- A doença profunda é geral e não local: quando há um problema mais profundo temos que tratar todo o organismo e não só aquele órgão ou tecido. Existe uma relação global entre todas as partes de um organismo vivo. IV- As doenças são, na realidade um esforço do organismo para se equilibrar. No geral, pode dizer-se que o que normalmente são designadas por doenças constituem um esforço de auto-cura por parte do organismo. O papel do naturopata é em primeiro lugar compreender esse esforço do organismo e apoiá-lo. V- A terapêutica que reprime e abafa os sintomas/esforços de defesa e limpeza do organismo, está a agravar o problema. A verdadeira doença cresce se não se permite ao organismo reequilibrar as suas funções através dos órgãos de limpeza e descarga. VI- Os canais normais de limpeza do organismo são os rins, os intestinos, a pele, os pulmões. Esta limpeza deve fazer-se convenientemente todos os dias. Se estas vias não conseguem cumprir esta função (ou porque as suas funções não estão a decorrer normalmente ou porque os materiais a descarregar são em demasia), começa a haver acumulações indesejáveis e inclusivamente sobrecarga de outros órgãos. As descargas podem ocorrer de forma espontânea ou serem provocadas como processo de cura. VII- Desintoxicação e revitalização. São as duas faces da moeda da saúde. Para que o organismo cumpra facilmente as suas funções, não pode estar sobrecarregado - e nos tempos que correm, de uma forma ou de outra, todos estamos. Portanto temos que regularmente fazer alguma desintoxicação. Mas, após a desintoxicação, tem que haver alguma revitalização, sob pena de poder advir desvitalização.

A relação naturopata-utente

O naturopata não é simplesmente um profissional que estudou determinadas matérias e que receita produtos. Ele é inevitavelmente alguém que coerentemente aplica na sua vida diária os princípios e as práticas que recomenda. Há um aspecto que não posso deixar de destacar: uma consulta é simultaneamente uma aula, durante a qual são explicadas as causas dos problemas que afectam o cliente e como ele deve proceder para recuperar a saúde. O utente não é um sujeito passivo mas, pelo contrário, é activo e consciente no seu processo de cura.

 

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