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Medicinas Não Convencionais - Fitoterapia
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 27 Maio 2009 15:13
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De há muito que desejava contactar a alcaparra, planta elegante que vegeta em rochedos e resiste à aridez e secura do clima mediterrânico. Ela é, no entanto, bastante rara no nosso País, pelo que aproveitei uma digressão a Malta para a conhecer melhor. Nas minhas passeatas pedestres pelo litoral das ilhas de Malta e Gozo, ia identificando numerosas subespécies de plantas que predominam em Portugal, e, de súbito, dou-me com uma florinha linda de morrer. Era a flor da alcaparra, constituída por quatro sépalas verdes, quatro robustas pétalas brancas, em concha e, no centro, um punhado de compridos estames violetas. Só por isso, a alcaparra deveria ser classificada como planta ornamental, mas igualmente as folhas e a formação arbustiva têm inegável beleza.

Embora a variedade mais comum seja a Capparis spinosa, a que encontramos em Malta, por estar praticamente desprovida de espinhos, devia ser a sua irmã gémea Capparis orientalis. Porém, não importa aqui o rigor da designação científica, pois as propriedades destes arbustos persistentes são praticamente idênticas.

A Capparis possui extensas raízes, folhas alternadas, grossas e arredondadas de pecíolo curto e ramificações que podem alcançar mais de 20 cm. As flores, já parcialmente descritas, são hermafroditas e pecioladas, surgindo nas axilas foliares e podendo ter 7 cm de largura. O ovário, constituído por um filamento comprido no meio do cálice, encontra-se rodeado de numerosos estames, cuja cor contrasta com a das pétalas. O fruto é uma baga verde que pode atingir 5 cm de comprimento.

Quer os antigos gregos, quer os romanos, usavam a alcaparra para fins medicinais e gastronómicos, sendo a mesma mencionada por Theophrastes e Plínio, entre outros. Também a Bíblia lhe faz referência.

Entre os seus componentes químicos, registam-se flavonóides, óleo essencial semelhante ao da mostarda, ácido cáprico, ferro, sódio e vitaminas. São-lhe atribuídas algumas propriedades medicinais: adstringente, anti-espasmódica, diurética, tónica, aperitiva e vermífuga. Usam-se (ou usavam-se) os botões florais e a casca das raízes para tratar a ciática, aumentar a diurese, abrir o apetite e combater as flatulências. O Dr. Oliveira Feijão receita o “vinho de alcaparra”, através da maceração prolongada de 30 g da casca da raiz num litro de vinho branco, tomando-se um cálice antes ou depois das refeições. Externamente, a decocção da raiz pode ser utilizada para a lavagem de feridas, acelerando a sua cicatrização.

Actualmente, os botões florais das alcaparras, conservadas em vinagre e sal, constituem um condimento muito apreciado pelos “gourmets”, atingindo alto valor comercial. Só para ficarem com uma ideia, refiro que, no mercado de Valletta, adquiri um frasquinho de 85 gramas por 1,20 euros. Mais tarde, colhi eu próprio alguns botões e conservei-os em vinagre. Vamos lá a ver se resulta!

As alcaparras constituem um ingrediente habitual da cozinha mediterrânica, principalmente na Grécia e na Itália, quer como simples aperitivo, quer integrando “pizzas”, saladas e molhos. Em determinadas regiões utilizam-se culinariamente também os frutos e as folhas migadas, devido ao seu sabor levemente salgado e picante.

 

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