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Medicinas Não Convencionais - Fitoterapia
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 29 Outubro 2008 19:01
BATATEIRA
Começou a ser usual, consagrar dias e anos a eventos, actividades ou figuras que se pretende homenagear, pela sua importância na evolução da Humanidade. A propósito, saberão os estimados leitores que a FAO escolheu 2008 para ser o Ano Internacional da Batata?

O termo “batata” é hoje algo de corriqueiro e tanto serve para denominar o conhecido tubérculo, como para apelidar grotescamente coisa banal ou pessoa menos hábil. E no entanto, a ”Solanum tuberosum”, como Lineu chamou à “papa” (em língua quíchua), só se tornou conhecida na Europa no século XVI, quando os espanhóis a trouxeram das suas colónias sul-americanas, baptizada por “patata”. Por sua vez, os italianos designaram-na, inicialmente, por “tartufolo”, dada a sua semelhança com os tartufos ou túberas (tuber spp.), fungos que se encontram debaixo da terra junto de estevas e sobreiros. Logo os alemães derivaram para “kartoffel”, como os búlgaros, os russos, os romenos, os dinamarqueses e outros mais.

Os europeus gostaram muito do aspecto decorativo das flores da batateira mas os tubérculos foram olhados com desconfiança, servindo, durante quase um século, apenas para a alimentação do gado. Depois houve uma daquelas fomes cíclicas e as pessoas, a medo, começaram a comer batatas. Nessa evolução parece ter sido determinante o papel de Parmentier, cientista ilustre da corte de Luís XVI.

Actualmente conhecem-se mais de três mil variedades de batata e a produção anual já ultrapassa 300 milhões de toneladas. Só a China produz 23% do total mundial (números de 2005).

O sucesso tem a ver com a grande versatilidade deste alimento, verdadeiro “pão dos pobres”, rico em amido (fécula), vitaminas e sais minerais, com o potássio à cabeça (de 250 a 500 mg por cada 100 g). A talhe de foice, anote-se que a Macrobiótica Zen abomina a batata por ser altamente desequilibrada em termos de yin-yang. Tal filosofia prescreve que proporção química ideal dos alimentos é de 5 partes de sódio para 1 de potássio. Ora, a batata subverte o princípio, pois possui, mais ou menos, uma parte de sódio para 12 de potássio. Isso não invalidou que os orientais não se lançassem maciçamente no cultivo deste tubérculo.

Como compreenderão, não vou descrever exaustivamente a constituição botânica da batateira, refiro, tão-somente, que se trata duma solanácea vivaz. Logo, todas as partes verdes da planta são tóxicas, sendo o fruto, (pequena baga arredondada) a parte mais venenosa.

Contrariamente ao que se diz, a batata não engorda e até entra em curas de emagrecimento, uma vez que não possui lípidos. O que engorda são as más combinações com outros alimentos. Nesse sentido, a batatas-frita é o expoente negativo, a evitar drasticamente em alimentação racional. A melhor maneira de consumir a batata é através da cozedura a vapor, ou assada. Deve ser comida com casca, dado que é na pele e na periferia do tubérculo que se encontram os sais minerais e as vitaminas. Contudo, a fervura faz com que perda uma boa parte das vitaminas, pelo que há quem recomende ralá-la em cru, misturando-a, a seguir, nas sopas. Convém extirpar sempre as partes verdes e os “olhos”, ou seja, os pontos onde irão brotar os grelos, porque é aí que se concentra a solanina (alcalóide).

 

Sob o ponto de vista da fitoterapia, assinala-se que a batata cozida é dos melhores remédios para combater a acidez estomacal, dado que alcaliniza o organismo. Outrossim, no que se refere ao ácido úrico e a todas as formas de artritismo. Comida crua, evita o escorbuto, afasta os parasitas intestinais e cura as úlceras do estômago. A água da cozedura da batata é boa para as queimaduras da pele, gretas e furúnculos. Cataplasmas de batata crua, ou simplesmente cortada às rodelas, aliviam extraordinariamente as dores de cabeça e enxaquecas e diminuem os inchaços. Finalmente, o suco cru está indicado para gastrites, úlceras gástricas e duodenais, dispepsias, litíase biliar e prisão do ventre.

 
Advertência final: a eficácia das terapias referidas parte do pressuposto de que as batatas provêm de cultivos biológicos e estão isentas de substâncias químicas, usadas e abusadas para as “conservar”, ou impedir o aparecimento de grelos.
 

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