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Medicinas Não Convencionais - Fitoterapia
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 20 Agosto 2008 23:13
in Jornal de Alcochete 2008 junho 25
Tília
No início da década de 70, estando a cumprir o serviço militar em Lisboa, ia frequentemente jantar à Messe de Oficiais de Santa Clara, mesmo ao pé da conhecida Feira da Ladra. Pagava 20 escudos, com direito a sopa, dois pratos, sobremesa, café, ou chá. Era pechincha reservada só aos oficiais que, teriam obrigatoriamente de ir fardados ou, se à civil, trajar de casaco e gravata. Recordo este episódio do outro milénio porque o chá que serviam era invariavelmente uma infusão de flores de tília. Compreende-se, o comensal podia escolher entre uma bebida excitante (café) ou uma calmante (tília). Isto denota o grande prestígio que, na altura, hoje e sempre, a tília desfruta, principalmente como agradável tranquilizante.

Mas a tília não é só isso. É igualmente uma árvore ornamental de soberbo porte, tal qual vimos na Bulgária e noutros países europeus, como, aliás, se pode observar no norte do nosso País.

Há dias, no Fundão, em visita tradicional a amigos por altura da Festa da Cereja de Alcongosta, tive a grata oportunidade de me abastecer de odorosas flores de tília, que sempre guardo na minha colecção de "chás" predilectos.



As "Tilia cordata Mill.", "Tilia platyphyllos Scop." e outras variedades, árvores sagradas das civilizações primitivas, da família das tiliáceas, desenvolvem-se em climas temperados, até 1800 metros de altitude, chegando a atingir 40 metros de altura.

O seu tronco é erecto com casca lisa, ou gretada quando a árvore atinge mais idade. Uma das características que a identificam é o aparecimento de vários rebentos no solo, junto ao caule.

As folhas são verde-escuras, alternas, pecioladas, inteiras, cordiformes, serradas e glabras na página inferior.

As flores são branco-amareladas em grupos de 5 a 10,  ligados num pedúnculo comum por uma bráctea estreita e lanceolada bem característica. Possuem cinco pétalas e cinco sépalas com cheiro muito agradável.

O fruto é seco, globuloso com quatro ou cinco arestas e contém numerosas sementes.

Na tília encontra-se óleo essencial, mucilagens, tanino, pigmentos flavónicos, manganésio, vitaminas B e C e açúcares.



Diz o reputado professor de fitoterapia, Dr. João Ribeiro Nunes, na sua "Flora Medicinal da Cova da Beira" que a infusão das flores de tília é útil para a hipertensão arterial, as dores de cabeça, as insónias, a angústia, o nervosismo, as gripes, a bronquite, a tosse, as más digestões, o tromboembolismo e a disfunção hepatobiliar.

Mas o Dr. Samuel Maia, no "Manual de Medicina Doméstica", editado nos anos trinta, vai ainda mais longe: "o chá de tília constitui uma das panaceias deste tempo. Dá-se aos nervosos, aos dispépticos, emprega-se como sudorífero, peitoral, diurético, digestivo, contra a enxaqueca e mais o que se quiser. Agradável, inofensivo, serve nos momentos em que o sentimento ordena aplicar um remédio, sem se saber bem qual escolher".



Uma recomendação contudo: devemos tomar o chá durante vinte dias e parar uma semana, pois, segundo alguns entendidos, podem surgir ligeiras perturbações cardíacas.



Finalmente, eis um licor recomendado na obra italiana "Erbe buona per la salute":



10 g de flores de tília;

0,5 l de água;

2 colheres de açúcar;

1,5 dl de boa aguardente;



Deita-se as flores na água a ferver e deixa-se a repousar durante dez minutos. Filtra-se. Adiciona-se o açúcar e a aguardente, mexendo-se bem com uma colher.

Serve-se num cálice de boca larga, decorado com uma casca de limão e uma folha fresca de hortelã.
Miguel Boieiro


atualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:36
 

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