Marroio-branco
Paracelso foi um ilustre médico
alquimista do século XVI, melhor dizendo, um cientista, que procurou avançar no
conhecimento das terapias através das plantas, afrontando, com coragem, os
dogmas religiosos que então avassalavam a Europa. A Santa Inquisição tinha uma
rede bem montada para perseguir os hereges que eram todos os que divergiam do
conhecimento oficial e oficioso. Muitos dos escritos de Paracelso ainda
continuam por decifrar porque ele teve de contornar, através de linguagem
cifrada, as imposições da época que levavam, com toda a facilidade, o descrente
à fogueira purificadora. Sempre tive uma admiração muito especial por este
investigador e quando, em Julho de 2007, me cruzei, por mero acaso, com o seu
túmulo num pequeno cemitério de Salzburgo, prometi a mim mesmo, que me
dedicaria, um pouco, à análise das suas investigações.
Mais tarde, consegui adquirir "As
Plantas Mágicas - Botânica Oculta" deste grande Mestre (com letra grande).
Trata-se apenas de um resumo de botanogenia que trata das relações dos seres
vivos com o macrocosmo e o microcosmo. E mais não direi, por enquanto, a não
ser que entre as plantas predilectas de Paracelso se encontra o marroio-branco.
Ele recomendava a colheita das sumidades floridas desta planta da família das
labiadas por altura do signo zodiacal de Virgem, para assim transmitir a sua
maior força vital que, na altura, servia para tratar os tuberculosos.
O "Marrubium vulgare L." é
apreciado desde épocas muito antigas devido às suas valiosas propriedades medicinais.
Os autores clássicos Teofrasto, Dioscórides e Estrabão citam esta planta com
muita frequência e os antigos egípcios utilizavam-na para tratar os distúrbios
respiratórios.
Trata-se de uma herbácea vivaz de
origem europeia, espontânea em terrenos secos e áridos, terrenos incultos,
caminhos e entulheiras, podendo atingir 60cm de altura. Tem raiz fusiforme e
caule anguloso. As folhas são pecioladas, opostas, ovais, obtusas, crespas,
esverdeadas, bolhosas na página superior e esbranquiçadas na página inferior.
As flores, brancas e pequenas, aparecem nas axilas das folhas, formando uma
espécie de cálice. Toda a planta é lanosa (tem pêlos) e liberta um odor a maçã.
Na sua composição química
encontra-se um princípio amargo (marrubina), óleo essencial, saponósidos,
glucósidos, taninos, potássio, cálcio e vitamina C.
As indicações terapêuticas,
segundo o Professor João Ribeiro Nunes, na sua "Flora Medicinal da Cova da
Beira", são as seguintes: tónica, expectorante, emenagoga, estomáquica, falta
de apetite, diurética, tosse, dores espasmódicas, palpitações, nervosismo,
celulite e afecções do fígado.
Vários autores consideram o
marroio-branco uma das plantas expectorantes mais eficazes para a bronquite.
A indústria farmacêutica usa-a
como ingrediente de xaropes para a tosse e a medicina homeopática também a
utiliza com frequência nos seus preparados.
Há variadíssimas receitas, mas
vamos destacar apenas três:
Para estimular o apetite e contra a tosse:
Ferver num litro de água 40g de
sumidades floridas. Deixar repousar cinco minutos. Beber até cinco chávenas
diariamente.
Rebuçados de marroio-branco expectorantes:
Ferver em lume brando, durante
vinte minutos, 100gramas de folhas frescas de marroio, meia colher de chá de
sementes de funcho e três sementes de cardamomo esmagadas, em meio litro de
água. Filtrar. Dissolver no líquido, 750g de açúcar integral. Ferver em lume
médio até que o xarope ao verter uma gota em água fria, solidifique. Deitar o
preparado num tabuleiro untado e cortar os rebuçados, depois de arrefecer.
Vinho para a bronquite:
Maceração, durante 15 dias, de
60g da planta seca num litro de vinho branco. Filtrar. Tomar entre 100 e 150g
por dia.
A terminar algumas precauções:
não confundir o marroio-branco com o marroio-negro ("Ballota nigra"); as infusões
devem ser tomadas de modo intervalado; os doentes com gastroenterites devem
abster-se de tomar o "chá".
Miguel Boieiro
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