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Medicinas Não Convencionais - Fitoterapia
Escrito por Miguel Boieiro   
Quarta, 20 Agosto 2008 22:57
Fitolaca
Há tempos, a minha amiga Paula Soveral, membro do Conselho Técnico da Sociedade Portuguesa de Naturalogia e com consultório de terapias na respectiva sede, pediu-me para abordar uma planta que, segundo ela, se encontrava na moda e dava pelo anglófono nome de "poke root". A citada planta serviria para curar inúmeras doenças, entre as quais, o cancro e a sida. Confesso que, com aquela designação, nada descortinei e, como tenho por hábito só escrever sobre plantas que conheço, pelo menos visualmente, não dei andamento ao pedido. Mais tarde, todavia, fiz uma pesquisa e descobri que a tal "poke root" era, nada mais, nada menos, do que a minha conhecida "tintureira", ou fitolaca. Mas aonde a encontrar para esclarecer a Paula?

Quis o destino que, ao participar numa marcha de protesto "sui generis" contra os abusos do Governo, a qual saiu da Praça do Príncipe Real com destino à Baixa, me deparasse com a tal "poke root" que a Paula ansiava conhecer. Estava nas proximidades da Rua da Palmeira, num espaço de reconstrução expectante, em pleno Bairro Alto.

De imediato lhe comuniquei o achado, mas tive o cuidado de lhe refrear os ímpetos, pois esta planta ruderal é venenosa e pode até causar a morte se não a soubermos usar convenientemente.



A "Phytolacca decandra" da família das fitolacáceas é oriunda da América do Norte e já era usada pelos indígenas como planta medicinal, antes da chegada dos europeus. É uma planta indubitavelmente forte e produz efeitos imediatos. Alguns doentes curavam-se, outros morriam inapelavelmente. Julga-se que a trouxeram para a Europa, devido à tintura fornecida pelas suas bagas. Daí o nome de "tintureira", por que também é conhecida.



A fitolaca cresce em terrenos abandonados, nas bordas dos caminhos e principalmente em lugares húmidos. É planta vivaz, de folha caduca, que pode alcançar três metros de altura. Possui uma raiz volumosa e carnuda com numerosas radículas. O caule é grosso, oco e ramificado. As folhas são grandes (10cm de comprido por 5cm de largura), alternas, ovais-lanceoladas, inteiras e encontram-se distribuídas ao longo de toda a planta. As florzinhas, brancas ou rosadas, agrupam-se de forma oposta às folhas e têm apenas cinco sépalas arredondadas de cor verde-clara. Por sua vez, o fruto é uma baga globulosa com muito suco que faz lembrar a amora. Passa do verde ao vermelho e depois ao negro, quando amadurece. As pequenas sementes encontram-se no interior dos frutos.



Existem várias espécies de alcalóides (substâncias tóxicas) na fitolaca, para além de saponinas, resinas amargas, açúcares, essências, ácidos, nitratos, taninos, cálcio e potássio. É comprovadamente purgante, espermicida, vomitiva, anticonceptiva, antibiótica, anti-escorbútica, anti-inflamatória, insecticida e rubefaciente.

É enorme o estendal de doenças referenciadas em que a fitolaca pode ser útil. Citemos algumas: amigdalite, catarro, dermatose, doenças do sangue, doenças respiratórias, sistema imunológico, inflamações, obesidade, reumatismo, tosse, tumores, sarna, hemorroidal, etc., etc.

Como a planta possui numerosas contra-indicações, não deve ser administrada por meros curiosos e jamais deve ser ingerida. Apenas se recomenda o seu uso externo.

A cataplasma da raiz é muito boa para o tratamento da sarna, orquite e hemorróidas. Serve também para preparar tinturas, decocções e pomadas.

Eis uma pomada de fácil preparação:

Reduz-se a pó 200g da raiz bem seca. Junta-se uma substância gorda e guarda-se ao abrigo da luz e do ar. Aplica-se em erupções cutâneas, três vezes ao dia.



As bagas (que são tóxicas mesmo quando maduras, embora alguns pássaros as comam sem problema aparente) servem para tingir e foram, durante muitos anos, o principal uso da fitolaca.
Miguel Boieiro

atualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:39
 

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